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 Acusado de matar jovem inglesa em GO é psicopata, diz laudo
16 de fevereiro de 2009 20h15

Márcio Leijoto

Direto de Goiânia


Laudo judiciário apresentado nesta segunda-feira indica que Mohammed D'Ali Carvalho dos Santos, 20 anos, acusado de matar e esquartejar a inglesa Cara Marie Burke, 17 anos, em Goiânia (GO) no fim de julho do ano passado, é psicopata e semi-imputável. Assim, caso ele seja levado a júri popular e condenado, poderá ter sua pena reduzida em até dois terços do total.

Santos é acusado de homicídio duplamente qualificado, além do crime de destruição e ocultação de cadáver. Segundo denúncia do Ministério Público (MP), ele matou Cara Marie a facadas, em 26 de julho do ano passado, em um apartamento no Setor Universitário. Em seguida, esquartejou o corpo e ocultou alguns membros. Parte do corpo de Cara foi encontrada dois dias depois, dentro de uma mala preta, às margens do rio Meia-Ponte, na BR-153. A cabeça, duas pernas e dois antebraços da vítima foram encontrados em um rio a 33 km de Goiânia.

Assinado por dois peritos psiquiatras e dois psicólogos, o laudo apontou que o acusado sofre de todas as características de um psicopata e que apresenta "alto índice de criminalidade". "Ele age com requintes de crueldade e apresenta traços que indicam que a chance de ele reincidir nos atos criminosos é muito alta", disse o juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 1ª Vara Criminal de Goiânia.

O magistrado deu prazo de cinco dias para que a acusação e a defesa se manifestem a respeito, a partir da data em que forem intimadas. O laudo foi elaborado a partir de exames realizados com Santos nos dias 21, 22 e 23 de janeiro deste ano, além de entrevistas com familiares e amigos dele.

De acordo com a avaliação dos especialistas, Santos é um psicopata protótipo, com todas as características típicas: perturbação mental, alta periculosidade e personalidade anti-social. Entretanto, o réu não pode ser considerado um doente mental e não há tratamento para seu caso. "Esse comportamento tem a ver com sua personalidade e em como ela foi construída e não é algo que tenha cura, pois não é uma doença", disse o juiz.

Os exames apontam também que, no momento do crime, Santos tinha noção do caráter ilícito de seus atos, mas que isso não o impediu de agir conforme seus impulsos. Isso porque sua personalidade tem reduzida capacidade de auto controle.

Alguns fatos ajudaram os peritos a afirmar que Santos pode ser reincidente: aos 10 anos, o acusado disse ter dado uma facada na perna do irmão; nessa fase, ele também teria ateado fogo na cabeça de um gato e batia nos vizinhos; mais velho, ele teria atirado contra uma pessoa que passou de moto próximo a seu pé.

O Ministério Público informou que pretende questionar o resultado do laudo durante a tramitação do processo. "Para o MP, ele é completamente imputável e nós vamos provar isso dentro do processo. Se ele é realmente psicopata, teria cometido outros crimes aqui no Brasil, na Inglaterra, em qualquer lugar", disse o promotor Milton Marcolino Júnior. Além disso, os jurados também podem não considerar o resultado do laudo. A defesa de Santos pediu o laudo psicólogo na tentativa de conseguir a semi-imputabilidade do acusado.

Segundo o juiz, a decisão se o acusado vai a júri popular deve ser tomada em março.

Especial para Terra