Foi a segunda lista divulgada pelo ministério. O Estado do Pará aparece com 17 fazendas autuadas e Mato Grosso com 16. Em novembro do ano passado, na primeira lista apareciam 52 nomes e um total de 5.100 trabalhadores envolvidos.
De acordo com a lista publicada ontem pelo jornal O Globo, em Mato Grosso aparecem quatro empresas e 12 proprietários rurais. No Pará, foram autuados 17 proprietários (735 trabalhadores); no Maranhão uma empresa e nove donos de fazendas (344); em Tocantins dois proprietários (36); em Rondônia duas empresas e um proprietário (41); e em Minas Gerais um proprietário (24 trabalhadores).
A lista, que se baseou nos procedimentos administrativos do Ministério do Trabalho e nos relatórios dos grupos móveis, foi elaborada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho, coordenada pela auditora Ruth Vilela que foi quem criou os grupos móveis de fiscalização.
Nas vistorias realizadas nas 48 fazendas, os fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, agentes da Polícia Federal e procuradores do Ministério Público do Trabalho encontraram os trabalhadores em situações consideradas desumanas e semelhantes às de escravo. Além das péssimas condições de alojamento, falta de alimentação, constatou-se casos em que os salários e carteira de trabalho foram retidos pelos empregadores.
Alessandro Polato, filho de Sidney Polato, dono da Fazenda Los Ângeles (produtora de algodão), localizada na região de Primavera do Leste, ficou surpreso com a inclusão da propriedade na lista, onde aparecem 49 trabalhadores na condição de ¿prejudicados¿. De acordo com Alessandro, na época da capina do algodão (num período de 120 a 150 dias) a fazenda emprega até 100 pessoas e entre março e abril de 2001, um funcionário fez uma denúncia anônima ao Ministério do Trabalho em Brasília, o que motivou a inspeção do grupo móvel.
¿O funcionário queria aumento de salário e como não conseguiu fez uma série de acusações¿, disse Alessandro Polato. Ele acredita que desentendimentos entre alguns trabalhadores e o gerente provocaram as denúncias, já que o salário pago mensalmente varia de R$ 700 a R$ 1 mil. ¿Os trabalhadores sempre tiveram moradia, refeição e equipamentos de proteção. Eles quiseram prejudicar o gerente e acabaram prejudicando a fazenda¿, afirmou. Segundo ele, depois da vistoria foi feito um acerto e os insatisfeitos receberam seus direitos e outros resolveram ficar. ¿De lá para cá nunca mais houve nenhum problema¿, garantiu.
Entre as penalidades a que estão sujeitos os infratores está o corte de financiamentos por meio de bancos estatais, de subsídios e incentivos fiscais, além das indenizações trabalhistas e de outros procedimentos nas esferas civil e criminal. Segundo a Procuradoria da República em Mato Grosso, já foram protocoladas na Justiça Federal 20 denúncias envolvendo o trabalho escravo no Estado, além dos 80 procedimentos administrativos que estão em andamento.
Na Procuradoria Regional do Ministério Público do Trabalho, foram abertos este ano 93 procedimentos para investigar denúncias de trabalho escravo e condições degradantes do trabalhador seja na zona rural ou na cidade.
- Redação Terra

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