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Brasil tem fama por dançarinas e não juristas, diz deputado

30 de janeiro de 2009 20h18 atualizado às 20h29

O deputado italiano Ettore Pirovano, do partido conservador Liga Norte, ironizou nesta sexta-feira o trabalho de juristas brasileiros ao comentar o refúgio político concedido ao ex-militante de esquerda Cesare Battisti. "Não me parece que o Brasil seja conhecido por seus juristas, mas sim por suas dançarinas", disse Pirovano. As informações são da agência Ansa.

Pivô de uma grave crise diplomática entre Brasil e Itália, Cesare Battisti foi condenado na Itália à prisão perpétua por quatro assassinatos cometidos, de acordo com a Justiça italiana, entre 1978 e 1979, quando era membro da organização Proletários Armados Pelo Comunismo (PAC). No dia 13 de janeiro, o italiano, que alega inocência, recebeu do ministro da justiça, Tarso Genro, o status de refugiado político, o que impede sua extradição.

Pirovano criticou duramente o ministro Genro por suas declarações à imprensa brasileira de que a Itália ainda vive fechada em seus "anos de chumbo". "Antes de pretender nos dar lições de Direito, o ministro da Justiça brasileiro faria bem se pensasse nisso não uma, mas mil vezes", disparou o deputado governista.

Pirovano lembrou que ainda vivem no Brasil ex-agentes do regime nazista, e questionou se para eles também vale a regra usada para dar o refúgio a Battisti. Para o deputado da Liga Norte, "cada nação deve pensar em como administrou internamente os próprios critérios de justiça e liberdade".

Um parecer final sobre o caso Battisti será emitido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em fevereiro. No começo da semana, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, recomendou à corte a extinção do processo. Na quinta-feira o ministo Cezar Peluso, do STF, autorizou a Itália a se posicionar sobre o caso. O país terá cinco dias para atender à solicitação.

Redação Terra