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 Conselheiro nega participação da França em fuga de Battisti
30 de janeiro de 2009 20h21 atualizado às 20h23

O conselheiro para Assuntos Europeus da presidência da França, Fabien Raynaud, negou nesta sexta-feira que o serviço secreto do país tenha participado da fuga de Cesare Battisti para o Brasil, como afirmou o ex-militante italiano em entrevista exclusiva à revista IstoÉ. As informações são da agência Ansa

Preso no Brasil desde 2007, o ex-militante recebeu no dia 13 de janeiro o status de refugiado político, o que impede sua extradição para a Itália. A decisão foi tomada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. A medida desencadeou uma grave crise diplomática entre os Brasil e Itália, que se agravou na última terça-feira, quando o chanceler italiano, Franco Frattini, chamou para consultas seu embaixador em Brasília, Michele Valensise.

Segundo a deputada italiana Margherita Boniver, da coalizão governista Povo da Liberdade (PDL), Raynaud definiu como "totalmente infundadas" as declarações de Battisti. O conselheiro francês participou na manhã desta sexta-feira de uma reunião da Comissão para Políticas Comunitárias da Câmara dos Deputados da Itália, em Roma.

A deputada disse ter explicado a Raynaud que "a opinião pública italiana está preocupada com o caso Battisti", e que "ficou ainda mais atônita" após ter lido as afirmações dele sobre a participação do governo francês em sua fuga para o Brasil. Durante o encontro com os parlamentares italianos, Raynaud teria dito que o presidente Nicolas Sarkozy "há tempos não considera mais válida a 'doutrina Mitterand'", disse a deputada.

Quando governava a França, entre 1981 e 1995, o então presidente François Miterrand oferecia proteção a guerrilheiros italianos que renunciassem à luta armada.

Cesare Battisti, 54 anos, foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios cometidos durante a década de 1970, quando militava no grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Na entrevista exclusiva que concedeu à revista IstoÉ, o italiano disse que a idéia de fugir para o Brasil foi dada por um funcionário do serviço secreto francês.

O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), que emitirá um parecer definitivo em fevereiro, quando chega ao fim o recesso do Judiciário brasileiro. A corte decidirá se Battisti voltará à Itália ou se permanecerá no Brasil, sob a proteção do refúgio político.

Redação Terra