Índios participaram da marcha de abertura do Fórum Social Mundial
Foto: Lucy Silva/Especial para Terra
Lucy Silva e Fátima Alexandre
Direto de Belém
Nem a forte chuva que caiu nesta terça-feira, em Belém, desanimou os participantes da Marcha "Da África para a Amazônia", que marcou a abertura oficial do Fórum Social Mundial, na capital do Pará. Mais de 30 mil pessoas de várias etnias e integrantes de movimentos sociais, vindos de diversos lugares do País e do mundo, se uniram na caminhada, que durou mais de quatro horas.
Homens, mulheres, índios e militantes políticos participaram da marcha, que tomou as principais avenidas da capital paraense, que teve início na escadinha do cais do porto e terminou na Praça do Operário, no centro de Belém, tradicional lugar de manifestações.
A forte chuva pegou os participantes de surpresa logo na saída da caminhada, mas só aumentou a animação de quem estava lá para provar que "Um novo mundo é possível", como prevê o tema do Fórum Social Mundial 2009. Vários grupos indígenas do Pará e de outros Estados da Amazônia aproveitaram a realização do Fórum na capital paraense para mostrar ao mundo reivindicações antigas. Entre as tribos, estavam a Parkatajá, do sul do Pará, e a Mantirê, do Acre.
"Costuma-se dizer que existe muita terra para pouco indío, mas o que vem acontecendo é o contrário. Existe muita terra para pouco branco. Eles formam os verdadeiros latifundiários, é muita terra na mão de uma só pessoa, enquanto nós representamos um povo, uma comunidade", disse o índio Ubirajara, da etnia Parkatajá.
Ainda segundo o indígena, a construção de um mundo melhor depende de cada um de nós. "Estamos aqui para mostrar que essa Amazônia com suas terras, água e ar deve ser preservada, basta cada um lutar por isso", ressaltou.
A questão fundiária na Amazônia também foi lembrada. Familiares e militantes partidários do deputado estadual João Batista, assassinado na frente dos filhos e da mulher, no centro de Belém, na década de 80, foram às ruas lembrar sua luta pela reforma agrária.
Pedro Batista, irmão do sindicalista, que comandou uma mobilização sobre o caso durante a caminhada, acredita que a realização do forum é uma oportunidade para que o mundo possa conhecer a história de resistência e luta dos povos. "É também o momento de mostrar que políticos e latifundiários continuam impunes. Há 20 anos meu irmão morreu, mas nesse tempo todo não ocorreu a tão sonhada reforma agrária", afirmou. Na programação do grupo ainda está o lançamento de um livro que conta a história de Batista.
Outro tema que também veio à tona durante a caminhada foi da defesa da descriminalização do aborto no Brasil. "Defendemos o aborto pois é a segunda maior causa de morte entre as mulheres. Mas só morrem as negras e pobres. Com com um projeto de lei que legalizasse o ato, menos mulheres morreriam, já que a prática seria oferecida em hospitais públicos", defendeu Caroline Soares, do grupo Marcha das Mulheres.
O Fórum Social Mundial acontece até o próximo domingo, em vários espaços de Belém. São esperados mais de 100 mil participantes em mais de 2 mil eventos que compõem a programação.
- Especial para Terra







Assista agora »
Assista agora »
