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Sob chuva, 30 mil marcham em abertura do Fórum Social

27 de janeiro de 2009 21h40 atualizado em 28 de janeiro de 2009 às 12h07

Índios participaram da marcha de abertura do Fórum Social Mundial. Foto: Lucy Silva/Especial para Terra

Índios participaram da marcha de abertura do Fórum Social Mundial
Foto: Lucy Silva/Especial para Terra

Lucy Silva e Fátima Alexandre

Direto de Belém


Nem a forte chuva que caiu nesta terça-feira, em Belém, desanimou os participantes da Marcha "Da África para a Amazônia", que marcou a abertura oficial do Fórum Social Mundial, na capital do Pará. Mais de 30 mil pessoas de várias etnias e integrantes de movimentos sociais, vindos de diversos lugares do País e do mundo, se uniram na caminhada, que durou mais de quatro horas.

Homens, mulheres, índios e militantes políticos participaram da marcha, que tomou as principais avenidas da capital paraense, que teve início na escadinha do cais do porto e terminou na Praça do Operário, no centro de Belém, tradicional lugar de manifestações.

A forte chuva pegou os participantes de surpresa logo na saída da caminhada, mas só aumentou a animação de quem estava lá para provar que "Um novo mundo é possível", como prevê o tema do Fórum Social Mundial 2009. Vários grupos indígenas do Pará e de outros Estados da Amazônia aproveitaram a realização do Fórum na capital paraense para mostrar ao mundo reivindicações antigas. Entre as tribos, estavam a Parkatajá, do sul do Pará, e a Mantirê, do Acre.

"Costuma-se dizer que existe muita terra para pouco indío, mas o que vem acontecendo é o contrário. Existe muita terra para pouco branco. Eles formam os verdadeiros latifundiários, é muita terra na mão de uma só pessoa, enquanto nós representamos um povo, uma comunidade", disse o índio Ubirajara, da etnia Parkatajá.

Ainda segundo o indígena, a construção de um mundo melhor depende de cada um de nós. "Estamos aqui para mostrar que essa Amazônia com suas terras, água e ar deve ser preservada, basta cada um lutar por isso", ressaltou.

A questão fundiária na Amazônia também foi lembrada. Familiares e militantes partidários do deputado estadual João Batista, assassinado na frente dos filhos e da mulher, no centro de Belém, na década de 80, foram às ruas lembrar sua luta pela reforma agrária.

Pedro Batista, irmão do sindicalista, que comandou uma mobilização sobre o caso durante a caminhada, acredita que a realização do forum é uma oportunidade para que o mundo possa conhecer a história de resistência e luta dos povos. "É também o momento de mostrar que políticos e latifundiários continuam impunes. Há 20 anos meu irmão morreu, mas nesse tempo todo não ocorreu a tão sonhada reforma agrária", afirmou. Na programação do grupo ainda está o lançamento de um livro que conta a história de Batista.

Outro tema que também veio à tona durante a caminhada foi da defesa da descriminalização do aborto no Brasil. "Defendemos o aborto pois é a segunda maior causa de morte entre as mulheres. Mas só morrem as negras e pobres. Com com um projeto de lei que legalizasse o ato, menos mulheres morreriam, já que a prática seria oferecida em hospitais públicos", defendeu Caroline Soares, do grupo Marcha das Mulheres.

O Fórum Social Mundial acontece até o próximo domingo, em vários espaços de Belém. São esperados mais de 100 mil participantes em mais de 2 mil eventos que compõem a programação.

Especial para Terra
  1. Índios participaram da marcha de abertura do Fórum Social Mundial  Foto: Lucy Silva/Especial para Terra

    Índios participaram da marcha de abertura do Fórum Social Mundial

    Foto: Lucy Silva/Especial para Terra

  2. Cerca de 30 mil pessoas participaram da marcha  Foto: Lucy Silva/Especial para Terra

    Cerca de 30 mil pessoas participaram da marcha

    Foto: Lucy Silva/Especial para Terra

  3. Mulheres pedem a legalização do aborto  Foto: Lucy Silva/Especial para Terra

    Mulheres pedem a legalização do aborto

    Foto: Lucy Silva/Especial para Terra

  4. Participante protestou contra o ex-presidente dos EUA, George W. Bush  Foto: Lucy Silva/Especial para Terra

    Participante protestou contra o ex-presidente dos EUA, George W. Bush

    Foto: Lucy Silva/Especial para Terra

  5. Ativistas italianos participam da marcha  Foto: Lucy Silva/Especial para Terra

    Ativistas italianos participam da marcha

    Foto: Lucy Silva/Especial para Terra

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