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Arma não-letal paralisante estréia no Fórum Social Mundial

24 de janeiro de 2009 14h31 atualizado em 27 de janeiro de 2009 às 13h55

Modelo escolhido pelo Ministério da Justiça vem na cor amarela para não ser confundido com arma de fogo . Foto: Divulgação

Modelo escolhido pelo Ministério da Justiça vem na cor amarela para não ser confundido com arma de fogo
Foto: Divulgação

Marina Mello

Direto de Brasília


Na próxima semana, durante o Fórum Social Mundial em Belém (PA), 230 homens da Força Nacional de Segurança vão começar a fazer uso de armas não-letais paralisantes, os chamados "taser". Criadas especialmente para o uso de policiais que integram a Força, essas armas foram feitas na cor amarela, bem chamativa, justamente para que o policial não se confunda na hora de sacar o equipamento com a arma de fogo convencional.

O secretário nacional de segurança substituto do Ministério da Justiça, Alexandre Aragon, explicou que a estréia destas armas será feita no Fórum por causa do aspecto social do encontro. Segundo ele, com o ato, o ministério quer demonstrar que tem a mesma preocupação dos integrantes do Fórum: a preservação da vida e a defesa de mecanismos que, em determinadas situações, vão permitir que o policial tenha uma alternativa para abordar um infrator que não seja a pancada com o cassetete ou o tiro com a arma de fogo.

"Ela será usada no Fórum por uma questão emblemática. Lá nós vamos ter pessoas de todos os países do mundo envolvidas com a questão social. Então, nada mais justo e técnico nós utilizarmos a tropa que está mais preparada, que já passou por um treinamento para lá", afirmou. Segundo ele, o uso do equipamento no encontro não significa que as autoridades esperam que lá irá ocorrer algum tipo de briga ou de confusão.

"Não corremos nenhum risco de ter um enfrentamento ou algum problema por lá. É um fórum social, que tem tudo a ver com uma política que passou a ser adotada pelo ministério para cumprir uma determinação das Nações Unidas do uso progressivo da força. De adotarmos instrumentos que permitam alternativas ao policial em sua atuação para que a arma de fogo seja sua última escolha e não a única escolha", ressaltou.

Também conhecido como "arma de onda T", esse equipamento tem o poder de paralisar o indivíduo e mantê-lo imóvel por um período de cinco a dez segundos. A arma tem o poder de alcance de até 10 m de distancia e, ao ser disparada, emite as chamadas ondas T, vibrações parecidas com as emitidas pelo nosso cérebro para comandar os movimentos do corpo.

Mudança de cultura
De acordo com o secretário, após o Fórum o uso dessa arma não-letal será expandido para alguns estados do País. Ao todo são 4 mil armas, mil para a Força Nacional e três mil que serão distribuídas até o final do mês de fevereiro entre os estados do Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe, São Paulo, Tocantins e para o Distrito Federal.

A ação, segundo ele, está ligada a uma política do Ministério da Justiça de tornar mais humano e consciente o policial militar brasileiro. Diante do reconhecimento de que muitos policias acabam fazendo uso da truculência e da arma de fogo em situações muitas vezes desnecessárias, o governo decidiu investir numa espécie de reciclagem desses policiais e a arma não-letal faz parte dessa idéia.

"Essa é uma preocupação nossa por isso estamos oferecendo cursos para os policiais que se interessam em preservar a vida e ele está sendo bem aceito. Atualmente, num universo de 500 mil policiais, temos 150 mil fazendo esse curso que é voluntário. Quem participa ainda recebe uma bolsa formação no valor de R$ 400. Percebemos que eles estavam carentes desse tipo de treinamento", disse.

O secretário explica que as armas poderão ser utilizadas em diversas situações, inclusive em casos de seqüestros, como o da jovem Eloá, morta no ano passado. No entanto ele ressaltou que caberá ao comando de cada operação decidir quando e como a arma deverá ser utilizada. De acordo com ele, seu uso mais eficaz é geralmente feito em situações domésticas, quando o policial tem que lidar com uma pessoa bêbada ou sob o efeito de drogas.

"Prioritariamente ela vai ser usada em operações cotidianas, como por exemplo as vividas por aquela dupla de policiais chamados de Cosme e Damião, ou Pedro e Paulo. Circunstancias em que o policial tem que se meter no meio de uma briga ou lidar com um jovem sob o efeito de drogas. Imagina quando um jovem avança num policial com uma faca, qual alternativa que esse policial tinha antes para se defender?", questionou.

Apesar da iniciativa de humanizar a polícia, o secretario esclareceu que em situações mais arriscadas os policiais poderão utilizar as armas de fogo. "Claro que ninguém é romântico de acreditar que em situações mais específicas esse tipo de cultura deva ser usado. Não vamos querer que o policial utilize a arma não-letal em situação de risco. O que queremos é que em situações corriqueiras, que compõem 95% dos casos do dia a dia, elas sejam priorizadas, não só para preservar a vida do cidadão, mas dele próprio policial".

Redação Terra