Paciente recebe anti-retroviral prestes a vencer no Rio

07 de janeiro de 2009 • 02h06 • atualizado em 13 de janeiro de 2009 às 17h19

O paciente soropositivo Debir Silva, 48 anos, que obteve por decisão judicial o direito de receber o anti-retroviral Maraviroque 300 mg da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, retirou, no dia 10 de dezembro, uma caixa com 60 comprimidos com validade para o dia 31.

» CORREÇÃO: Paciente recebe anti-retroviral prestes a vencer
» Distribuidora avisou secretaria
» Fábrica nega responsabilidade
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Segundo a Secretaria de Saúde, Silva é o único a receber o medicamento, distribuído pela empresa Oncoprod. A assessoria da secretaria informou que, ao entrar em contato com a distribuidora para pedir uma nova caixa dos medicamentos, esta informou que estava em férias coletivas e não poderia fazer a entrega.

A empresa nega ter entrado em férias coletivas. Além disso, a Oncoprod ressaltou em nota que, antes de fornecer o medicamento, avisou à secretaria que "somente disponibilizávamos em estoque produto com a validade até 31 de dezembro de 2008 e, que caso não pudessem adquirir com esta validade, que não efetuassem o depósito bancário".

Como o depósito foi realizado, a distribuidora afirma ter se sentido autorizada do fornecimento. Ainda segundo a empresa, a secretaria questionou se havia previsão de entrega de um novo lote em dezembro. "Conforme informamos anteriormente, não disponibilizávamos do produto em estoque com validade diferente da que foi fornecida."

Ao retornar para pegar nova remessa, Silva foi informado de que não havia mais. "Estou tomando remédio vencido e dentro de poucos dias vai acabar. Estou inseguro", lamentou. A secretaria de Saúde não ofereceu alternativas ao problema de Silva.

A Pfizer Brasil, fabricante do medicamento, informou, em nota, que também "não entrou em férias coletivas e que a apresentação de Celsentri (maraviroque) 150 mg está disponível para venda". A nota da Pfizer ressalta que a empresa "não recomenda a utilização de medicamentos fora do prazo de validade, que é indicado na embalagem".

Para o coordenador da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids, Veriano Terto, a interrupção favorece a resistência do vírus ao remédio e faz com que o paciente desanime. "Em caso de interrupção, a pessoa deve entrar em contato com o poder público para denunciar", disse.

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