Rio: 34 imóveis são demolidos em ação da prefeitura

05 de janeiro de 2009 • 21h37 • atualizado às 22h03

Eduardo Tavares e Ana Paula Verly

Brasil


A Operação Choque de Ordem, iniciada pela prefeitura às 7h da manhã desta segunda-feira, terminou com 34 imóveis demolidos na avenida Gilka Machado com a estrada do Pontal, no Rio de Janeiro. Uma cobertura com piscina, uma igreja evangélica, um depósito de bebidas, um salão de festas, 18 apartamentos e 12 lojas, entre elas salões de beleza, chaveiros e lanchonetes, foram demolidos.

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De acordo com a prefeitura, as ações da Operação Choque de Ordem têm como objetivo "reeducar" a população e devolver a legalidade ao espaço público. "É um conjunto de ações que vai devolver a legalidade à cidade. As pessoa têm de aprender que não podem fazer o que quiserem no espaço público. E a prefeitura vai ser um agente cumpridor, fazendo com que as pessoas cumpram as regras de convivência da cidade", disse o secretário municipal de Ordem Pública, Rodrigo Bethlem.

Um dos imóveis demolidos foi o prédio onde fica o restaurante Point do Pontal, o maior da favela Terreirão. O prédio tinha quatro andares e foi construído clandestinamente na avenida Gilka Machado. O restaurante pertencia a Marco Aurélio França Moreira, conhecido como Marcão, acusado de envolvimento com milícias e que atuava como líder comunitário em Nova Gardênia, em Jacarepaguá.

Segundo os locatários que perderam seu negócio na demolição, os alugueis dos apartamentos do prédio custavam cerca de R$ 300 e o das lojas variavam de R$ 600 a R$ 2,5 mil. Marcão negou o envolvimento com milícias e afirmou ter feito campanha para o prefeito Eduardo Paes.

"Durante a campanha eleitoral, ele veio pedir voto no Recreio. Conversou com os comerciantes e disse que depois de eleito, tentaria legalizar as construções que já estavam prontas. Agora que tomou posse derrubou o prédio", disse Marco Aurélio. "Fui acordado pelo meus funcionários do restaurante que me informaram sobre a demolição. Há três anos e meio, sou proprietário do imóvel. Comprei uma posse, fiz meu restaurante com muito trabalho. Não tive informação sobre a ação e não deram tempo para retirarmos as coisas de dentro".

Segundo o subsecretário de Controle Urbano, Alex da Costa, que acompanhou toda a ação no Recreio, a prefeitura agiu dentro da lei. "Marcão, junto com outro suposto proprietário do terreno, fez uma sociedade para construir em espaço público, a estrutura que foi demolida. Ali não havia respeito ao gabarito municipal, que determina somente prédios de três andares, não existia alvará para funcionamento do restaurante, não havia licença sanitária, entre outras ilegalidades", detalhou o subsecretário.

Participaram da ação, cerca de 300 agentes de vários órgãos estaduais e municipais, entre eles, Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal, Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), Defesa Civil, Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio), Secretaria Municipal de Obras e da Secretaria Especial de Ordem Pública, que coordenou a operação.

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