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Investigação sobre grampo no STF fica para 2009

25 de dezembro de 2008 06h47

A Polícia Federal começará 2009 com a pendência de não ter avançado nem um centímetro sobre as investigações em torno do grampo ilegal que captou um diálogo entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). O vazamento da conversa trouxe à tona uma guerra de bastidores entre PF, ligada ao Ministério da Justiça, e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), vinculada à Presidência da República, e acabou por afastar do comando da agência Paulo Lacerda, ex-diretor da Polícia Federal.

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Sem encontrar provas contra os agentes supostamente envolvidos no grampo - um desdobramento da Operação Satiagraha, da PF, que resultou na prisão do empresário Daniel Dantas - o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) arquivou sindicância aberta para apurar o caso. Nas mãos da Justiça, o inquérito ainda deve prosseguir por mais 30 dias. Mas são poucas as expectativas, na Polícia Federal, de que a investigação chegue a apontar culpados.

Da conclusão desses trabalhos depende o destino de Paulo Lacerda no governo. Mesmo sem provas incriminatórias sobre agentes, a investigação apontou contradições nos depoimentos de Lacerda e irregularidades no comportamento dos agentes da Abin durante o decorrer da Satiagraha. Dessa forma, embora livre de acusações diretas, o diretor afastado da agência de inteligência não pode ser propriamente inocentado.

O mais grave veio com a declaração de Lacerda sobre a participação da Abin nas investigações que, segundo ele, teria se limitado a colaborações em tarefas banais. Confronta a afirmação do diretor o conhecimento de que mais de 80 agentes foram postos à disposição do delegado Protógenes Queiróz, que comandou a operação, para analisar o conteúdo de conversas captadas pelas escutas autorizadas no escopo da investigação. Um dos agentes, o oficial Marcio Seltz, chegou a afirmar que analisou gravações e entregou cópias para Lacerda. A falta de conclusões da sindicância conduzida pelo GSI não ajuda Lacerda a retornar ao comando da agência, uma vez que a Abin é subordinada ao gabinete que a investigou.

Jornal do Brasil
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