Após anunciar que a cúpula da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) aprovou a criação do Conselho Sul-Americano de Defesa, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, afirmou que o órgão deve limitar-se a atividades de cooperação, de treinamento e equipamentos, descartando que ele possa ser um instrumento para operações militares conjuntas.
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"Ele não é um instrumento de operações militares. Ele é um instrumento de cooperação e treinamento (...) e prevê a possibilidade de desenvolvimento conjunto de indústria nessa área", explicou ele. "Ele também ajudará a manter consciência das Forças Armadas da região."
"Quando foi criada a Unasul, há cerca de uns quatro, cinco meses atrás, a não criação, naquele momento, do Conselho de Defesa foi vista como um fracasso da tentativa. Na verdade era só um aspecto", disse o ministro. "Seja como for, foi criado o Conselho de Defesa agora."
Segundo Amorim, o texto para a criação do conselho foi finalizado no último dia 11 e visa a desenvolver "uma visão comum na região sobre problemas de defesa e ajuda na confiança mútua (no bloco)".
Conselho Sul-Americano de Saúde
Atuando como uma espécie de porta-voz após a reunião, já que era esperada a presença da presidente pro tempore da Unasul, a chilena Michelle Bachelet, o ministro também afirmou que foi acordada, em função de uma reunião ministerial ocorrida recentemente no Rio de Janeiro, a criação do Conselho Sul-Americano de Saúde, o que para ele foi uma "grata surpresa".
Segundo ele, o conselho, "cujo objetivo é a promoção de políticas sanitárias comuns e cooperação", deve ter a participação dos ministros da Saúde dos países membros, assim como os demais conselhos formados na Unasul.
Já a questão da escolha do Secretário-Geral interino da Unasul, segundo Amorim, foi mencionada durante o encontro, mas ainda vai ser objeto de consultas e deve sair no máximo até abril.
A indicação para o cargo é fruto de divergências entre argentinos e uruguaios, já que estes não aceitam o nome de Néstor Kirchner, ex-presidente da Argentina.
O desacordo reflete a disputa entre os países por conta da construção de uma indústria de papel e celulose no lado uruguaio e que é fruto de protesto por parte de ambientalistas do lado argentino.
Além das medidas e do anúncio do adiamento da escolha do secretário-geral, Amorim afirmou que os presidentes da organização ficaram satisfeitos com o relatório da Comissão Eleitoral da Unasul sobre o referendo para a aprovação da nova constituição boliviana.
O ministro também destacou que o relatório da Comissão de Direitos Humanos da organização sobre os distúrbios ocorridos em Pando, departamento (Estado) da Bolívia, será enviado, pela presidente Bachelet, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos e também para o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas).
A comissão da Unasul investigou e condenou o massacre de 20 pessoas, a maioria seguidores do presidente Evo Morales, ocorrida no departamento. No episódio, o prefeito (governador) de Pando, Leopoldo Fernandéz, chegou a ser preso após os conflitos entre governistas e opositores, liderados por Fernandéz.
- Redação Terra


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