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 Para Lula, aborto é questão de saúde pública
15 de dezembro de 2008 17h14 atualizado em 16 de dezembro de 2008 às 00h13

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a discussão sobre a descriminalização do aborto e propôs um maior número de debates a fim de combater o preconceito no País. "Uma das coisas mais ofensivas que eu sinto é a questão do preconceito. É o medo de discutir. É a disposição de não querer enfrentar determinados temas porque parecem tabus. (...) A questão do aborto não é ser contra ou a favor. Se trata de uma questão de saúde pública", disse ao participar de discurso na abertura da 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, em Brasília.

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Ele voltou a afirmar que pessoalmente é contra o aborto. "Mas ora Meu Deus do céu, quantas madames vão fazer aborto até em outro país e as pobres morrem nos redutos urbanos nesse País? Não tem que ter medo de debater", disse.

A manifestação de Lula ocorreu após o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, ter sido vaiado em pelo menos quatro momentos durante a conferência. Os protestos atacavam o fato de Chinaglia ter instalado uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o funcionamento de clínicas ilegais no País.

"O processo legislativo vai muito além dos nossos desejos", justificou Chinaglia ao discursar após as vaias.

Preconceito racial
Durante a abertura da conferência, Lula comentou também a questão do preconceito contra o negro no Brasil. "É lógico que tem preconceito nesse País. A Constituição assegura que não deve ter, mas não é uma lei, é uma cultura. Ou nós enfrentamos esse debate com muita força, ou vamos atravessar mais um século com preconceito", afirmou.

Ele citou como exemplos de superação do preconceito racial as eleições do negro Barack Obama, nos Estados Unidos, e do presidente boliviano, Evo Morales, que é indígena.

"Temos muito para fazer, (...) quebrar barreiras, fazer novas leis, mudar a cabeça das pessoas", falou.

Redação Terra