Família acusa médico de deformar paciente em operação

09 de dezembro de 2008 • 03h46 • atualizado às 03h46

A família da cobradora Cleide Julia da Silva, 32 anos, acusa o neurocirurgião Antônio Santo Marchesan de deformá-la após uma operação para reduzir as mamas. Após o procedimento, ela ficou em coma por 19 dias. Hoje não fala e respira através de uma sonda implantada na traquéia.

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Marchesan, cujo registro foi cassado, está preso desde sábado e responde por exercício ilegal da profissão, além de falsidade ideológica.

Há um ano, Cleide sentiu fortes dores na coluna e precisou sair do trabalho. De acordo com a família da cobradora, o médico recomendou que ela retirasse parte dos seios para ser submetida a uma cirurgia de coluna.

"Ele nos cobrou R$ 1,6 mil e não pediu risco cirúrgico. Tivemos que nos virar para pagar", disse a prima Marinete Melo da Rosa Bandeira.

Em 4 de setembro, Cleide retirou 2 kg de cada seio, no Hospital Jabour, em Bangu, mas no dia seguinte não acordou.

"Era uma emergência. Esse médico só chegou às 16h, dizendo que iria a Nilópolis resolver a transferência dela, mas não voltou mais", lembrou Marinete.

Levada para o Hospital Carlos Chagas, a paciente permaneceu em coma até 24 de setembro. Teve alta em 1º de outubro, mas no mês passado voltou a passar mal, com falta de ar. No Hospital Geral de Bonsucesso foi submetida a traqueostomia.

Peso da mama afeta a coluna
A redução de mama é um procedimento comum para corrigir falhas na coluna. De acordo com o chefe da Traumato-Ortopedia do Hospital da UFRJ, no Fundão, Antonio Vitor de Abreu, a cirurgia é indicada para quem tem mais de 40 graus de curvatura toráxica.

"A mama pesada acentua a curva", explicou o especialista. Marinete, porém, alega que a prima não passou por exames. "Não sabemos se tinha esse nível de curvatura", disse. Em janeiro, Cleide passará por nova cirurgia para fechar a traqueostomia.

O Conselho Estadual de Medicina (Cremerj) mantém em seu site um cadastro atualizado dos profissionais e atende a população no telefone (21) 3184-7050. Segundo o órgão, somente os nomes de médicos com registro ativo e com permissão para trabalhar aparecem.

Denúncias deverão ser feitas pessoalmente no órgão, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, na Praia de Botafogo 228, loja 119-b.

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