Os dois partidos fecharam um acordo para se revezarem na presidência da Câmara. Nos dois últimos anos, o petista Arlindo Chinaglia (SP) ocupou o cargo. Segundo o pacto, a bancada do PT teria agora que apoiar um peemedebista.
Como o PMDB decidiu também disputar a presidência do Senado e o voto nessas eleições é secreto, alguns parlamentares acreditam que a candidatura de Temer poderia ser prejudicada pela disposição do governo de evitar um desequilíbrio de poder entre os partidos que integram a base aliada.
"Vamos honrar o acordo, independente do Senado. Nós temos convicção de que teremos todos os votos (da bancada)", afirmou Berzoini a jornalistas, depois de reunião dos deputados petistas com Temer. "Não haverá dissidência."
Perguntado se a decisão poderia ajudar a conquistar a adesão dos senadores do PMDB à candidatura de Tião Viana (PT-AC) a presidente do Senado, Berzoini disse que sim, mas ressaltou que os temas não estão diretamente relacionados.
"Esperamos que haja essa sensibilidade, mas esse gesto aqui não teve a ver com isso", afirmou.
Temer também evitou alimentar a polêmica. "Eu confio que no voto secreto eles (petistas) traiam a meu favor", brincou sobre a possibilidade de traição sempre existente nas votações secretas.
Segundo Temer, o acordo entre os dois partidos também passa por uma questão programática para a Câmara. "A reforma política é indispensável no ano que vem, a reforma tributária também", concluiu.
A bancada do PT na Câmara tem 80 integrantes. É a segunda maior da Casa, atrás apenas do bloco composto por PMDB e PTC, que conta com 95 deputados.
(Texto de Fernando Exman)
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