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Psicólogos levam terapia a vítimas da chuva em SC

02 de dezembro de 2008 16h15 atualizado às 16h41

O grupo prioriza as pessoas que apresentam histórias de sofrimento prévio. Foto: Francisco de Assis/Especial para Terra

O grupo prioriza as pessoas que apresentam histórias de sofrimento prévio
Foto: Francisco de Assis/Especial para Terra

Francisco de Assis
Direto de Santa Catarina

Há pelo menos uma semana, um grupo de psicólogos tem percorrido as ruas de Blumenau (SC) para levar auxilio aos alojamentos e abrigos montados para as vítimas da chuva no Estado. O objetivo é dar apoio relacionado à reconstrução psíquica e à segurança mental dos flagelados.

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"Nosso trabalho é focado exclusivamente às vítimas da enchente, principalmente nos adultos, que estão mais abalados emocionalmente, mas atendendo, também, paralelamente, crianças e adolescentes", contou a psicóloga clínica Maria Julia Zimmermann.

As sessões são realizadas nos próprios abrigos que solicitam auxílio. O Grupo de Apoio para as Vítimas da Enchente, como foi batizado, prioriza as pessoas que apresentam histórias de sofrimento prévio e que tenham relatos de separação ou perda de parentes e amigos.

"Tem sido muito gratificante ouvir essas pessoas. A gente vê de perto as necessidades", comentou a estagiária de Psicologia e co-terapeuta Silvia Marinho. O grupo deixa com que as pessoas se expressem normalmente, sem a utilização de técnicas para uma maior abertura.

"Pessoalmente, como um todo, estamos sofrendo. Evidentemente, fomos preparados para não ficarmos abatidos. Esse é o nosso trabalho, a nossa vocação, mas não dá para ficar insensível numa situação como essa", afirmou o supervisor do grupo, o psiquiatra Marco Aurélio Cigognini.

As terapias acontecem nos alojamentos em dois horários distintos. Pela manhã, quando as pessoas chegam para o almoço, e à noite, quando voltam das ruas. "Cheguei a ser rejeitada em um alojamento porque não fazia parte do bairro", contou uma das pacientes. "Estou pagando por uma casa que não existe mais", afirmou outra vítima.

Um dos casos que mais chamou a atenção da equipe foi o de uma criança que, por pouco, não se afogou e, ao chegar no alojamento, estava traumatizada. "Ela estava cheia de barro. Havia lama por todo o corpo. Colocamos ela no chuveiro e ela berrava 'água não! água não!'", contou Silvia.

Especial para Terra