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Os policiais da Divisão de Repressão ao Tráfico Ilícito de Armas e do Comando de Operações Táticas (COT), da PF de Brasília, da PF do Rio e das delegacias especializadas e distritais da Polícia Civil, seriam vigiados quando começavam a trafegar na Avenida Brasil.Em seguida, a espionagem prosseguiria por meio de rádiostransmissores e celulares. Os milicianos baseados na via expressa avisariam aos chefes, localizados na região de Campo Grande, sobre a presença dos agentes.
Depois, de carro, parte do grupo paramilitar seguiria a polícia durante todo o trajeto. Quando os policiais desciam dos carros, usando os computadores portáteis, os criminosos chegariam a enviar a descrição física dos agentes, além de placa, modelo e cor dos veículos usados por eles.
Segundo a PF e a Polícia Civil, o objetivo do monitoramento seria conseguir informações de operações contra a milícia e evitar a prisão de seus integrantes. Com a descoberta da suposta espionagem, ainda no início das investigações, as polícias Civil e Federal, que trabalhavam juntas, mudaram de planos.
Para coibir o avanço desses criminosos, tramita no Senado Federal projeto de lei, já aprovado pela Câmara, que altera o Código Penal e cria a tipificação para o crime de milícia. A proposta sugere ainda que a investigação desses crimes seja de competência da PF, por considerá-los "ofensa ao Estado democrático de Direito e de interesse da União".
Segundo o diretor de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, delegado Roberto Ciciliati Troncon Filho, caso o projeto seja aprovado na íntegra, a PF pretende treinar agentes especialmente para combater os paramilitares.
"Toda atuação da Polícia Federal se inicia com um profundo trabalho de inteligência. A doutrina da Polícia Federal se baseia em um tripé: capacitação dos servidores; investimento em tecnologia e cooperação permanente com órgãos nacionais e internacionais de repressão ao crime", disse Troncon, que evita comentar os métodos atuais das polícias estaduais.
"Os crimes em análise são de competência das polícias estaduais. Não nos cabe avaliar o método de atuação dessas forças policiais, mas sim apoiá-las sempre que necessário", explicou.
Operação prendeu chefões na eleição
Cerca de dois meses depois de descobrir que o trabalho de seus agentes estava sendo monitorado por criminosos paramilitares, a PF deflagrou, com o apoio do Estado, a operação Voto Livre, na Zona Oeste, que teve por objetivo reprimir crimes eleitorais.
No dia 29 de agosto, 15 pessoas, a maioria policiais, foram presas durante a ação. Com esse trabalho, que se prolongou por todo o período eleitoral, os principais controladores de grupos milicianos foram encarcerados.
Sobre o prosseguimento do trabalho de investigação, mesmo com a prisão da maior parte dos chefes da quadrilha, o diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, Roberto Troncon, disse que continuará colaborando com a Secretaria Estadual de Segurança sempre que solicitado.
"Todo o trabalho da PF no Rio, durante o período eleitoral, foi feito em conjunto com as polícias estaduais, que possuem toda condição de dar continuidade a ele. A PF faz um trabalho de estreita cooperação com a Secretaria de Segurança Pública do Rio, o que tem proporcionado uma série de ações bem-sucedidas, inclusive no período em questão¿, disse Troncon.

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