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Atingidos pelas chuvas saqueiam comércio em SC

27 de novembro de 2008 11h43 atualizado às 15h34

Homem usa carroça para carregar caixas de cerveja. Foto: Francisco de Assis/Especial para Terra

Homem usa carroça para carregar caixas de cerveja
Foto: Francisco de Assis/Especial para Terra

Francisco de Assis
Direto de Santa Catarina

Além da perda de bens, do risco constante de doenças e assaltos, os moradores de Itajaí, em Santa Catarina, ainda são obrigados a encarar a falta de alimentos. Os mantimentos das casas afetadas foram levados pela enxurrada e as dispensas acabaram mergulhadas nas correntezas, o que leva muitas pessoas a recorrer aos saques em supermercados das regiões atingidas pelas tempestades.

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"Não consegui salvar nada de casa", contou a desabrigada Maria de Lourdes. "Quando a água começa a subir a primeira coisa que você pensa é encontrar um lugar seguro para ficar e se possível tentar pegar um ou outro objeto de valor. Na hora da correria você não vai até a geladeira ver se tem leite aberto ou feijão para comer."

Em Itajaí, a falta de mantimentos levou muitas pessoas a saquearem supermercados e alojamentos. Um garoto que andava apressado com um saco de arroz na mão disse que era só entrar nos supermercados e pegar as mercadorias.

Os vidros de uma unidade de uma rede de supermercados local foram quebrados e as portas arrombadas. As pessoas entram como se o estabelecimento continuasse em funcionamento. As máquinas registradoras, no entanto, não operam desde o último fim de semana. "Fazia tempo que eu não saía de um supermercado com o carrinho tão cheio", brinca o eletricista Cleber Cavalcante.

As galerias de eletrodomésticos já estão vazias. Aparelhos de som, televisores e CDs também foram levados. Nas ruas, muitos moradores se queixam dos saques. "Isso é um absurdo. Até entendo que as pessoas peguem comida. Não vejo problema nisso. Estamos vivendo uma situação alarmante", afirmou o comerciante Aires de Toledo. "O problema é que vejo muita gente aí saindo com sacos nas mãos como se estivessem em um shopping", reclamou.

Quem não se importa com saques ainda encontra motivos para festejar. Um carroceiro que estava com mais de 30 caixas de cerveja disse a um rapaz que daria para fazer a festa do pessoal e um belo churrasco.

Especial para Terra