A mãe de Diego Mendes Modanez, 20 anos - morto a tiros pelo promotor Thales Schoedl em 30 de dezembro de 2004 - disse que os 23 desembargadores absolveram o promotor sem pensar nas conseqüências de tal atitude. "Eles fizeram isso porque não era filho deles. Porque quem é rico pode matar e, depois, ficar livre", afirmou Sônia Mendes Modanez, 50 anos.
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O órgão especial do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) absolveu, por unanimidade, o promotor da acusação de homicídio. A decisão confirmou a tese de legítima defesa colocada por seu advogado, Rodrigo Marzagão. A assistência de acusação vai recorrer ao Conselho Nacional de Justiça e o Ministério Público estadual vai analisar se cabe recurso.
Schoedl era acusado de homicídio duplamente qualificado, por atirar contra os estudantes Diego Mendes Modanez e Felipe Siqueira Cunha de Souza, ambos de 20 anos. Modanez morreu e Souza ficou gravemente ferido. O crime ocorreu após um luau na praia de Bertioga, no litoral de São Paulo, em 30 de dezembro de 2004. O promotor, que foi preso em flagrante, alegou que atirou em legítima defesa contra um grupo de pessoas que o ameaçavam e que teriam mexido com sua namorada.
Moradora de São Carlos, interior de São Paulo, Sônia disse que recebeu a noticia da absolvição pelo outro filho de 20 anos, que mora em São Paulo. "Ele leu em algum lugar e me ligou. Nós sabíamos que seria uma briga muito difícil porque ele é promotor e nós somos peixe pequeno. O que me deixa mais triste é que é eles (desembargadores) aceitaram a legítima defesa".
A mãe não aceita a tese da defesa: "ele deu 14 tiros e o meu filho nem uma pedra na mão tinha". Segundo o laudo, Diego foi baleado no antebraço e no peito. Sônia disse estar envergonhada com as leis brasileiras. "Eu queria dormir e nunca mais acordar. Se eu pudesse embarcaria para fora do País e nunca mais voltaria", finalizou.
O promotor tem direito, como membro do Ministério Público, a ser julgado em instância superior. Uma liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) manteve seu cargo. A decisão desta tarde no TJ pode ser anulada caso a liminar seja derrubada. Neste caso, o julgamento seria em júri popular.
- Redação Terra


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