PF: Rio recebe metade das armas ilegais do País

23 de novembro de 2008 • 11h50 • atualizado às 11h50

Márcia Brasil

Rio de Janeiro


O delegado Marcos Dantas, chefe da Divisão de Repressão ao Tráfico de Armas da Polícia Federal, informou que metade das armas e munições que entram ilegalmente no Brasil têm como destino as favelas e morros controlados por facções criminosas e grupos paramilitares do Rio de Janeiro.

» Preso suspeito de vender armas no Rio
» PM invade Ciep e apreende armas
» Leia mais notícias do jornal O Dia
» Opine sobre a entrada de armas no País

Os outros 50% seguem para São Paulo, onde integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) redistribuem o armamento para todo o País, incluindo a capital fluminense.

"São Paulo é um grande entreposto, onde traficantes do PCC alugam ou vendem fuzis, metralhadoras e munições que são usados em assaltos a bancos e carros-fortes no interior do País. Criminosos paulistas também enviam entre 10% e 15% das armas para o Rio. O restante é usado nas ações de crime realizadas no próprio Estado de São Paulo", disse Dantas.

Apesar de o tráfico de armas e munições ser intenso no Brasil, nos últimos três anos o valor das armas, principalmente as de guerra, como fuzis, aumentou em até quatro vezes no mercado negro, segundo levantamento da PF.

"O motivo do aumento nos preços é a escassez de armamentos no mercado ilícito internacional, provocada por inúmeros tratados internacionais de desarmamento e pelo aumento na repressão", destacou Dantas.

O delegado explicou que um fuzil AR-15, calibre 5.56 mm, por exemplo, era comprado de traficantes de armas por um preço que variava de R$ 5 mil a R$ 7 mil em 2005. Hoje, segundo Dantas, os criminosos precisam desembolsar, no mínimo, R$ 20 mil para que uma arma desse tipo seja entregue no Rio ou em São Paulo.

Ainda de acordo com a PF, a pistola 9 mm, a principal arma traficada para o Brasil, teve um aumento de preço de três vezes, passando de R$ 800, em 2005, para, ao menos, R$ 2,5 mil em 2008.

"Outras armas preferidas pelos criminosos brasileiros são os fuzis americanos 5.56 AR-15 e Mini-Ruger; o soviético AK-47 e o chinês Norinco, ambos 7.62", disse o delegado.

A dificuldade para obter armamento não impede que as organizações criminosas renovem seus arsenais. Há 15 dias, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu, no Paraná, um fuzil ponto 50, destinado ao Rio de Janeiro. A arma de guerra estava escondida embaixo de um Mercedes Classe A, placa do Paraguai.

O fuzil, modelo M82 A1, usado por forças militares como o corpo de fuzileiros navais americanos na operação Tempestade no Deserto, no Kuwait, na década de 90, era transportado por dois empresários paraguaios que, antes de admitir o crime, afirmaram que estavam seguindo para um torneio de golfe em São Paulo.

O Dia - © Copyright Editora O Dia S.A. - Para reprodução deste conteúdo, contate a Agência O Dia.
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »