Rio: milícia aumenta o número de sem-tetos na rua

20 de novembro de 2008 • 05h19 • atualizado às 05h21

Um levantamento realizado anualmente pela Secretaria Municipal de Ação Social do Rio de Janeiro mostrou que 13,3% dos sem-teto em Santa Cruz, na zona oeste, foram expulsos de favelas. A região é dominada por grupos paramilitares. Na área de Ramos, onde fica o Complexo do Alemão, o percentual é de 2%.

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"Com a milícia não tem diálogo, ela é imperial. Nas áreas dominadas por esses grupos, essa situação de expulsão de casa é crescente. É a guerra urbana", avaliou o secretário municipal de Ação Social, Marcelo Garcia.

"A expulsão de famílias de presidiários ou ex-detentos é comum. Os milicianos também tomam as casas de parentes de traficantes, mesmo que o tráfico já tenha sido banido do local", disse o presidente da CPI das Milícias na Assembléia Legislativa do Rio, Marcelo Freixo (PSOL).

Ele conta que a CPI evitou chamar essas pessoas para depor a fim de não expô-las a novos riscos. "Por isso, criamos o disque-milícia e já encaminhamos famílias com esse problema ao programa de proteção à testemunha", comentou.

Freixo explica que os milicianos costumam dar prazos de no máximo dois dias para que as pessoas deixem suas casas. "Eles dominam pelo terror. Só colocando medo nas pessoas podem fazer funcionar seus esquemas de cobrança por segurança, gás", disse.

Migração
Segundo Garcia, outro dado da pesquisa mostra o deslocamento da população de rua para bairros onde não ocorrem as operações empreendidas pela Secretaria Estadual de Governo, denominadas IpaBacana, CopaBacana e BarraBacana.

"Houve um esvaziamento das áreas da zona sul onde ocorrem essas operações mais violentas. O resultado foi o deslocamento para bairros como Flamengo, Centro e Tijuca", analisou.

Em nota, a Secretaria Estadual de Governo argumenta que faz a sua parte: "o governo do Estado informa que o trabalho pela ordem urbana é uma atribuição municipal. O Estado faz uma ação complementar. Entre outras iniciativas, a população de rua acolhida nas operações CopaBacana, IpaBacana e BarraBacana é levada para abrigos, onde são oferecidos cursos de capacitação profissional e inserção no mercado de trabalho. Os que precisam de médicos, são encaminhados para atendimento".

Garcia também se espantou com o crescimento de mulheres sem-teto, um aumento de 43% em relação à pesquisa de 2007.

"Há 600 mil indigentes no Estado. O Bolsa-Família contempla 140 mil e contribui, principalmente, para a diminuição da evasão escolar. Outro problema é o fluxo de pessoas que vêm do Nordeste e do Centro-Oeste", finalizou.

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