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PF ouvirá passageiros sobre ofensas a Dudu Nobre

19 de novembro de 2008 02h11 atualizado às 09h59

A Polícia Federal informou que vai ouvir tripulantes e passageiros que possam ter visto supostas ofensas contra Dudu Nobre e Adriana Bombom. Caso os comissários sejam indiciados, vão responder por lesão corporal, injúria qualificada por racismo e injúria simples. O registro de ocorrência foi feito na PF do Rio, mas a investigação ficará sob responsabilidade da PF de São Paulo, onde a briga aconteceu.

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Apesar de Dudu ter sido chamado de macaco, o episódio não configura crime de racismo. Racismo é impedir, por exemplo, a entrada de pessoa em um recinto em razão de sua religião ou cor. Dudu Nobre foi ofendido e teve um tratamento preconceituoso em decorrência de sua cor, o que é considerado injúria qualificada. Ao contrário do racismo, o crime de injúria é afiançável e prescritível, com pena que vai de um a três anos de reclusão e multa. Em nota assinada pelo diretor comercial no Brasil, Dilson Verçosa Jr, a American Airlines informa que abriu investigação para apurar o ocorrido e que ainda não havia recebido reclamação oficial.

O caso: Dudu e Bombom sofrem racismo em vôo
Depois de uma semana com a família nos Estados Unidos, a viagem do cantor Dudu Nobre terminou na delegacia da Polícia Federal (PF) no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, na Ilha. Acompanhado da mulher, a modelo Adriana Bombom, Dudu registrou queixa de agressão e injúria por racismo contra os comissários do vôo 951 da American Airlines. Além de xingar, um funcionário da companhia teria imitado um macaco ao lado de Dudu, que dormia. Durante a confusão, o mesmo comissário furou, com uma caneta, o casaco e o braço de um amigo do casal.

"Desde o embarque não nos trataram bem. Um comissário falou: 'estão pensando que isso aqui é a bagunça da terra de vocês? Há um controle por grupo'. Não sabíamos e fomos todos juntos para a entrada. No vôo, minha mulher foi chamada de estúpida por uma comissária porque não conseguiu abrir a porta do banheiro. Um outro, de nome Carlos, me chamou de macaco e agrediu um amigo meu com uma caneta. Não respeitaram as minhas filhas. A gente sai do Brasil, gasta dinheiro no país deles e ainda é esculachado. Isso é um absurdo", disse Dudu Nobre.

Adriana Bombom disse que desde o início do vôo teria sido alvo do preconceito da tripulação. Uma comissária debochou da modelo, que teve dificuldades para abrir a porta do banheiro. Dudu e o produtor Ivan Corrêa Júnior riram de Bombom. A comissária achou que as gargalhadas eram para ela e quando Bombom saiu do banheiro, foi chamada de estúpida. A tripulação teria passado, então, a hostilizar os três.

Em depoimento à PF, consta que, por três vezes, o comissário de nome Carlos se posicionou ao lado de Dudu para imitar macaco, gesticulando e fazendo sons com a boca. Ao acordar com o barulho, o sambista perguntou ao funcionário o que estava acontecendo, mas Carlos teria saído sem respondê-lo.

A confusão foi pior na porta do avião, em São Paulo. O vôo seguiria para o Rio, mas como medida de praxe, a tripulação é trocada e os passageiros precisam sair para a aeronave ser limpa.

"Demoramos a descer porque estávamos calçando o sapato das crianças. A tripulação se irritou. Na porta eu agradeci com um 'tchau' pelo ótimo tratamento. Uma aeromoça me mandou para aquele lugar. Mostrei o dedo para ela e a confusão começou. O tal do Carlos chamou o Dudu para a briga. Eles ficaram discutindo e surgiu o piloto e o co-piloto. Aí o tal comissário pegou uma caneta e enfiou no braço do Júnior. Ele queria acertar o pescoço, mas não conseguiu porque o Dudu o puxou a tempo", disse Adriana.

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