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O nome do agente apareceu há cerca de um mês, no âmbito de uma sindicância aberta na Abin para apurar a suspeita, levantada por reportagem da revista Veja. Na quinta-feira, numa reunião com agentes na sede da Abin, o general Jorge Felix teria contado, sem citar nomes, que já sabia quem são os agentes envolvidos numa suposta trama para derrubar da direção do órgão o delegado Paulo Lacerda, afastado pelo presidente Lula até a conclusão das investigações.
"Infelizmente são colegas de vocês", disse o general, pedindo segredo a uma platéia com mais de 500 agentes.
Em nota, Kluwe avisou que vai requisitar a fita sobre a palestra de Félix e se defende. "O pecado teria sido o vazamento provocador do imbróglio e da crise e não no reprovável, odioso e inadmissível atentado ao sigilo de autoridades", explica.
Possível grampo
Policiais que investigam a origem da transcrição da conversa entre Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), publicada em tom de denúncia pela revista, ainda não encontraram nenhum indício de que tenha se tratado mesmo de um grampo telefônico nem de que a suposta escuta tenha partido de dentro da Abin. A única informação concreta existente no inquérito é uma cópia da reportagem em que a revista, com base num servidor não identificado, sustenta que houve o grampo e que ele partiu da Abin. Os jornalistas responsáveis pela reportagem se negaram a confirmar à polícia sequer que tenham ouvido o áudio da transcrição sobre a conversa entre Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
A Polícia Federal pediu mais 60 dias de prazo para encerrar o inquérito e aposta na perícia que está sendo feita nos sistemas telefônicos do Senado, do STF, na Abin e nos seus próprios equipamentos de monitoramento ¿ o Guardião ¿ para encontrar uma pista. Dezenas de pessoas foram ouvidas, entre eles o próprio Kluwe, que negou envolvimento com o grampo.
O delegado Paulo Lacerda, afirma, em depoimento à Polícia Federal, que a Abin não tem atribuição de fazer escuta e disse que, ao assumir, recomendou que nenhum agente fizesse espionagem ilegal.
Processos contra revista
Paulo Lacerda disse que a diretoria da Asbin passou a atacá-lo depois que criou a Corregedoria para investigar desvios de agentes. Numa das sindicâncias, Kluwe é acusado de praticar advocacia administrativa e pode ser demitido.
O delegado também afirmou que a reportagem em que foi responsabilizado pelo suposto grampo foi publicada uma semana depois de ter acusado Veja de irresponsabilidade na CPI do Grampo, onde contou que abrira, na justiça, dois processos contra a revista. Afastado, junto com outros três diretores, o delegado aguarda a conclusão do inquérito da PF para decidir seu destino.
JB Online