Tortura: adolescente só vê manchas pretas, diz mãe

14 de novembro de 2008 • 16h27 • atualizado às 16h27

Francisco Edson Alves

Rio de Janeiro


A mãe do adolescente de 16 anos que teria tido o corpo queimado por ácido jogado por três militares do Exército do Quartel de Realengo, na zona norte do Rio de Janeiro, disse que os médicos estão preocupados com o olho do jovem. "Ele só enxerga manchas pretas. Os médicos avaliaram os últimos exames, mas não deram nenhum parecer definitivo. Tanto pode piorar ou melhorar. O certo é que ele ficará com seqüelas", afirmou Maria Célia Brum.

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No dia 6, ele e um colega de 20 anos teriam pulado o muro da unidade para fumar maconha, quando foram surpreendidos pelos militares. O colega conseguiu escapar.

O jovem e a família procuraram atendimento médico no Albert Schweitzer e depois foram para a 33ª Delegacia de Polícia (Realengo), onde o caso foi registrado. O adolescente ficou com queimaduras em 70% do corpo e corre o risco de perder parte da visão do olho esquerdo.

O coordenador-geral da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), Pedro Montenegro, disse nesta sexta-feira que sua secretaria recebe, em média, pelo menos 30 denúncias de torturas, maus-tratos e mortes envolvendo militares do Exército por ano.

"É um número muito alto. Fora os casos que chegam ao nosso conhecimento, mas que não são registrados oficialmente pelas vítimas", disse. Ele voltou a defender, depois de encontro com o diretor do Instituto Médico Legal (IML) do Rio, Hélio Feldemam, a reestruturação do modelo de treinamento dos militares. "Tem alguma coisa errada", comentou.

Ele constatou que o exame de corpo de delito não foi feito pelo IML, antes do adolescente ser internado. O procedimento não foi condenado por ele. "Os ferimentos foram graves e o rapaz sentia fortes dores. Neste caso, é louvável que se cuide primeiro da saúde com urgência".

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