Polícia: bando foi surpreendido com explosão em delegacia

11 de novembro de 2008 • 12h34 • atualizado às 13h04

Chico Siqueira
Direto de Araçatuba

São Paulo


Os invasores que explodiram o prédio da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Botucatu (SP) foram pegos de surpresa e pelo menos um deles ficou ferido na ação, segundo os policiais que trabalham no caso e o delegado Sérgio Castanheira, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

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"Encontramos sangue no local e também uma carabina, calibre 12, usada pelos criminosos, toda amassada", contou Castanheira. O sangue, de acordo com os investigadores, seria de um dos invasores, atingido possivelmente pelo efeito causado por uma das duas explosões que derrubaram parte do prédio.

O sangue será analisado para identificação do DNA e comparação com o sangue de pessoas com ficha. Os investigadores também chegaram à conclusão de que a S-10 usada na invasão estava na garagem do prédio da Dise no momento das explosões e foi atingida por uma delas.

"A laje da garagem caiu sobre o veículo, que, ao sair em disparada, deixou cair um caibro do telhado da garagem na rua próxima da delegacia", contou Castanheira, que afirmou que telhas e tijolos foram encontrados nas ruas usadas para a fuga.

No entendimento dos policiais, os invasores foram surpreendidos por esta explosão e saíram às pressas, porque tinham de socorrer um dos comparsas, e esqueceram a carabina no local. A carabina estava amassada, indicando que seu portador possivelmente foi atingido pela explosão.

A explosão teria ocorrido de forma acidental, causada pela gasolina usada para atear fogo nos papéis e objetos que estavam guardados na delegacia. "Havia um forte cheiro de gasolina no local. Penso que, uma das hipóteses é que os criminosos se descuidaram, e a gasolina se inflamou e explodiu, pegando-os de surpresa e ferindo um ou mais deles", comentou o investigador Marcos Roberto Franco.

Esta hipótese não foi reforçada pelos peritos do grupo especializado em explosivos, que passaram o dia de ontem no local em busca de vestígios de explosivos. Inicialmente, teria sido usada dinamite para explodir o prédio, versão negada pela polícia. "Eles (peritos anti-bombas) não encontraram vestígios, mas acharam indícios de que explosivos foram mesmo usados. Os indícios do uso de explosivos foram encontrados nos fundos do prédio da delegacia", contou o delegado, Paulo Fábio Buchignani, que atua na Dise.

Mesmo que se confirme o uso de explosivo, o delegado afirma ter certeza de que os invasores foram pegos de surpresa. "Acho que eles usaram explosivos, mas estes foram detonados antes da hora, por isso, eles tiveram de sair às pressas, porque a queda laje também feriu pelo menos um deles", contou Castanheira. "Agora, pode ser que uma das explosões tenha ocorrido também por conta da gasolina que eles usaram para atear fogo no prédio", acrescentou o delegado.

No entanto, segundo Castanheira, para ele o que importa são as informações para localizar e identificar os suspeitos do ataque. Castanheira disse não ter dúvidas de que o ataque foi feito pelas quadrilhas de traficantes "em retaliação a ação agressiva da Dise sobre elas". Segundo o delegado, a polícia já tem suspeitos cujos dados são checados.

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