Presidida pelo deputado Raul Jungman (PPS-PE), a nova frente conta com 227 deputados federais e deve apresentar, nos próximos 15 dias, uma agenda legislativa para a apreciação dos parlamentares.
Algumas propostas que estarão contidas na agenda já foram adiantadas por Jungman durante o lançamento da frente. "Vamos propor que o Plano de Defesa Nacional seja submetido à análise e deliberação do Congresso Nacional a cada quatro anos, coincidentemente com o mandato presidencial. Assim, poderá ser revisto, atualizado e submetido ao crivo parlamentar, ampliando a responsabilidade do Legislativo sobre a questão", disse.
Jungman proporá também a inclusão dos presidentes das comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional das duas casas legislativas no Conselho de Defesa Nacional.
Outra proposta a ser apresentada será a de o Executivo "seguir o exemplo de diversas outras democracias, inclusive sul-americanas", e enviar ao Congresso uma proposta de criação do Livro Branco da Defesa Nacional. "Desse modo, a nação e a comunidade internacional terão conhecimento das ameaças estratégicas, perspectivas e recursos relativos à defesa, estrutura, organização e disposição das nossas Forças Armadas", argumentou.
O perfil multipartidário da frente é, segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, uma vantagem para a tramitação das propostas no Legislativo. Além de Jungman, que foi o autor da proposta de criação do grupo, a frente tem como diretores os deputados Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), Michel Temer (PMDB-SP) e José Genoíno (PT-SP).
"Não discutiremos o passado porque estamos na busca de um ajuste de contas do Brasil com o seu futuro. A questão é relevante e temos a necessidade de pensar o país de acordo com a sua grandeza", disse Jobim. "Precisamos pensar grande e ser arrogantes, porque, como dizia o Ulisses (Guimarães), quem pensa pequeno, fica pequeno".
"Os países precisam da capacidade de dizer ''não'' no contexto internacional e de defender os interesses econômicos, políticos e sociais com absoluta transparência. No mundo, a força da defesa é um escudo para o desenvolvimento nacional e para a capacidade de presença não-submissa no contexto das nações. Não se trata de uma questão exclusivamente militar, mas política de altíssima relevância nacional, para que possamos nos apresentar em encontros bilaterais ou nas agências multilaterais como parceiros, e não como pedintes", argumentou.
A água potável da Amazônia e do aqüífero Guarani, a capacidade incomparável de produção de alimentos e a energia, segundo Jobim, fazem do Brasil um dos grandes players do mundo.
Jungman demonstrou, durante o discurso, pontos de vista semelhantes aos de Jobim em relação ao protagonismo brasileiro no cenário global, geopolítico, diplomático e econômico. "A inexistência de uma cultura de defesa se equivale a admitir a própria inferioridade existencial na sociedade internacional".
"Não se vai para o centro, com o objetivo de participar das grandes decisões, sem que os problemas do mundo venham até nós", disse Jungman, referindo-se à intenção brasileira de obter um assento no Conselho de Segurança da Organização das nações Unidas (ONU).


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