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 Plantonistas na fuga de Batman podem ser indiciados
31 de outubro de 2008 04h09

Três agentes que estavam de plantão segunda-feira no presídio Bangu 8, dia da fuga do miliciano Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, podem ser indiciados por facilitação de fuga. Hoje, eles prestarão novo depoimento na 34ª DP (Bangu) para esclarecer contradições, como a liberação do preso sem exigir documento de identificação dos supostos agentes do Serviço de Operações Especiais (SOE). Serão ouvidos ainda os policiais militares que estavam na guarita do Complexo de Gericinó. A polícia deve receber hoje o retrato falado dos dois falsos agentes que resgataram Batman.

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O delegado Gilberto Dias afirmou que investiga a possibilidade de a ação ter sido planejada com, pelo menos, sete meses de antecedência. Isso porque uma picape da Light, recuperada quarta-feira e que seria usada no resgate de Batman, foi roubada em março. O ex-PM estava preso desde agosto do ano passado.

Para a polícia, durante a elaboração do crime, os bandidos desistiram de usar a picape e optaram por um Palio branco, clonado, mesmo tipo de veículo usado pelo diretor do presídio Ary Franco, Roger Vandré. Ontem, peritos do Instituto Félix Pacheco colheram impressões digitais da picape. Os dados serão colocados no banco de dados do instituto para tentar identificar os responsavéis pelo roubo.

A hipótese da troca da picape pelo Palio foi reforçada no depoimento do coordenador de Unidades Prisionais, Márcio Luiz dos Santos Rocha. Segundo ele, algumas viaturas do SOE, que são picapes com baú para o transporte de presos, estariam sendo usadas desde meados deste ano para escolta de diretores. Por isso, veículos do modelo Palio - apesar de administrativos ¿ estariam fazendo o transporte de internos dentro do complexo. Além disso, outros carros do SOE estariam com problemas mecânicos. "Os criminosos sabiam dessa informação e substituíram o veículo. Dá menos trabalho clonar uma placa do que montar um carro oficial com adesivos e logotipos", disse o delegado Gilberto Dias.

A utilização de veículos de diretores para transporte de presos será uma das questões discutidas hoje com o secretário de Administração Penitenciária Cesar Rubens de Carvalho, em audiência pública na Alerj sobre a morte do diretor do presídio Gabriel Ferreira Castilho, Bangu 3, o tenente-coronel José Roberto do Amaral Lourenço, dia 16. "Vou requisitar os Boletins Diários de Transportes para saber como os carros dos diretores eram usados", afirmou o deputado estadual Marcelo Freixo.

Ontem, O Dia teve acesso ao ofício do então coordenador de segurança, Sauler Sakalém, atual subsecretário adjunto de Unidades Prisionais, que trata da falta de viaturas para transportar presos. O documento foi enviado ao subsecretário de Infra-estrutura coronel José Simões, ano passado.

Família ameaçada deixa favela
A pedido do Ministério Público (MP), a família de uma adolescente de 15 anos foi removida ontem pela polícia de sua casa, na Favela Fernão Cardim, Engenho de Dentro, por causa de ameaças de milicianos. A jovem foi incluída junto com parentes no Programa Nacional de Proteção à Testemunha. Policiais da Delegacia de Homicídios, com apoio do 3º BPM (Méier) e um helicóptero, acompanharam a mudança.

O promotor Alexandre Themístocles pediu à Secretaria de Segurança e à Corregedoria Geral Unificada (CGU) urgência na identificação de policiais e bombeiros denunciados. Ao MP, a menina disse que teve a casa invadida por milicianos no início do ano e que eles teriam agredido seu pai e depois o levado até a associação de moradores, onde teria sido torturado.

O caso foi relatado, na época, à 23ª DP (Méier). Semana passada, segundo a menor, integrantes da milícia teriam obrigado ela e a mãe a entar num carro com pistolas encostadas na boca de cada uma. Depois, teriam ameaçado queimá-las e jogá-las no Cemitério de Inhaúma. As duas decidiram denunciar o caso e sair da comunidade.

No depoimento ao MP, a jovem disse que era assediada pelos milicianos, que a acusavam de ser namorada de traficante expulso da favela, o que ela nega. "É comum na região famílias serem expulsas de suas residências com a perda do imóvel e das mobílias", disse a menina.

Ontem, a CPI das Miliícias decidiu propor à Alerj que, mesmo após o fim dos trabalhos da comissão, o Disque-Milícia (0800-28-20-376) continue funcionando.

Luciano vai depor em Santa Cruz, mas audiência é adiada
Forte esquema de segurança foi montado ontem no Fórum de Santa Cruz para audiência de Luciano Guinâncio Guimarães, filho do vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho. Ele é réu, ao lado de Batman, em processo de extorsão com uso de arma, em que são acusados de tentar tomar a cooperativa de vans Rio da Prata.

Encarcerado no presídio Ary Franco, Luciano era esperado às 13h no Fórum, mas só chegou duas horas depois. Uma equipe do Grupamento de Intervenções Táticas do Serviço de Operações Especiais, da Secretaria de Administração Penitenciária, o acompanhou. A Rua Olavo Bilac, onde fica o fórum, foi interditada. Policiais do 27º BPM (Santa Cruz) foram espalhados pelo prédio. Luciano chegou com cinco viaturas e 15 policiais, e ficou mais de duas horas na carceragem da 1ª Vara Criminal de Santa Cruz. "Uma das seis testemunhas de acusação faltou e o Ministério Público abriu mão dela. Nova audiência será marcada. Luciano nem prestou depoimento", disse o advogado Flávio Fernandes. As cinco testemunhas de acusação, que não quiseram depor na frente de Luciano, são as do julgamento de Batman, que há um mês e meio foi condenado a seis anos de prisão.

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