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Imagens apontam rota do desmatamento na Amazônia

02 de novembro de 2008 20h44 atualizado às 21h19

Imagens em alta resolução captadas por radar ao longo dos cerca de 800 mil km² de área que envolve os 36 municípios que mais desmataram a Amazônia Legal nos últimos cinco anos mostram linhas que levam a novos pontos de desmatamento, informou o diretor do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Marcelo de Carvalho Lopes. O trabalho de captação de imagem foi solicitado pelo Ministério do Meio Ambiente com o objetivo de classificar e quantificar o desmatamento nesses municípios. Esse material propiciará comparações futuras da situação da Amazônia.

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"A gente identificou caminhos, estradas, pequenas clareiras em linha, nas áreas que estamos inferindo, que ali serão vetores de desmatamento. O desmatamento geralmente é próximo a rios. Quando não tem estrada, tem uma linha reta que parte do rio e se alarga nas laterais", afirmou o diretor do Sipam.

O imageamento desses 36 municípios, que equivalem a mais do que as áreas da Alemanha (356.733 km²)e da Itália (301.268 km²) juntas, deverá ser finalizado no final do mês de novembro. Segundo o diretor do Sipam, a resolução dessas imagens é de 6 m. A resolução anterior era de 25 m.

"Essas áreas estão embargadas para novos desmatamentos. Qualquer desmatamento futuro vai ter sido ilegal e, com isso, poderá se penalizar quem descumpriu o embargo", afirmou Lopes.

Em janeiro, após o governo federal divulgar a lista dos municípios que mais desmataram a Amazônia nos últimos cinco anos, foi publicada uma portaria no Diário Oficial da União proibindo qualquer autorização de desmatamento por agentes públicos nesses municípios, até que o proprietário faça o cadastramento e demonstre que a situação está legal.

Amazonas
O governo do Amazonas já recebeu do Sipam essas imagens de alta resolução, e o Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) está utilizando o material para fiscalizar o desmatamento e verificar os planos de manejo. Lábrea (AM) é o único município do Estado que está na lista dos 36 que mais desmataram a Amazônia.

"Conseguimos, basicamente, identificar o dano com mais precisão. O técnico em campo tem mais argumento ao lavrar a autuação. Ele tem como ver e mostrar como era e como ficou. Não tem como contestar. A imagem valida juridicamente o auto de infração do órgão", afirmou o gerente de geoprocessamento do Ipaam, José Luiz Nascimento.

De acordo com Nascimento, o instituto está utilizando as imagens com alta resolução desde agosto. "Fizemos o sul do Estado, e agora Lábrea. (As imagens) agilizam o processo. Hoje vamos ao ponto focal. Não saímos mais à procura do desmatamento. Direcionamos e fiscalizamos."

Na quinta e na sexta-feira, o Comitê Gestor da Rede de Processamento de Imagens e Informações Geográficas (Repig), formado por representantes dos Estados da Amazônia Legal e pelo Sipam, se reuniu em Brasília para estruturar uma rede de intercâmbio de informações georreferenciadas (com coordenadas conhecidas) e imagens dos nove Estados da Amazônia Legal.

De acordo com o diretor do Sipam, algumas informações que integrarão as bases da Repig já estão disponíveis em base de dados dos Estados e do Sipam, porém de forma dispersa. O desafio agora é agrupar e sistematizar todo esse material, tornando-o disponível para consultas.

Redação Terra