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Saiba quem foi Leonel Brizola

22 de junho de 2004 11h49 atualizado às 11h49

Leonel Brizola, no período da campanha pelas Diretas. Foto: Agência Brasil

Leonel Brizola, no período da campanha pelas Diretas
Foto: Agência Brasil

A morte de Leonel de Moura Brizola, aos 82 anos, no Rio de Janeiro, encerra uma das mais extensas biografias políticas do Brasil. Brizola, que atualmente era presidente de honra do Partido Democrático Trabalhista e vice-presidente da Internacional Socialista, e ainda coordenava as articulações para as próximas eleições municipais, foi protagonista de alguns dos mais importantes acontecimentos políticos da nossa história recente.

Nascido em 22 de janeiro de 1922 em Cruzinha, povoado do RS que pertenceu a Passo Fundo até 1931, quando passou à jurisdição de Carazinho, Brizola era filho de uma professora e de um lavrador que morreu na Revolução Federalista de 1923 lutando contra os republicanos. Fez curso técnico rural, trabalhou em uma fazenda e em 1949 se formou como engenheiro, mas no meio dos estudos já tinha sido atraído pela política.

Em 1945, filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), recém-criado por Getúlio Vargas após o período do Estado Novo (1937-1945). Dois anos depois, foi eleito deputado estadual pela sigla, ao lado de figuras como Fernando Ferrari e João Goulart, participando da elaboração da Constituição do Rio Grande do Sul.

Em 1950, Brizola daria um dos passos que marcaria sua vida política, mas no altar. No dia 1º de março daquele ano, casou-se com Neuza Goulart, irmã de João Goulart. No mesmo ano, reelegeu-se deputado estadual.

Sua carreira na política teve uma ascensão meteórica. Em 1952, assumiu a secretaria de obras do governo do estado, na época comandado por Ernesto Dornelles, do PTB. Em 1954, foi eleito deputado federal com a maior votação até então alcançada no Rio Grande do Sul.

Eleito prefeito de Porto Alegre em 1955, três anos depois Brizola venceu as eleições para governador do Rio Grande do Sul. No governo do estado, chegou a encampar as companhias de energia elétrica e de telefonia, subsidiárias de empresas norte-americanas.

Legalidade, Ditadura e Democracia
A figura de Leonel Brizola alcançou relevância nacional na crise político-militar desencadeada pela renúncia de Jânio Quadros em 1961, depois de apenas alguns meses no poder. Jango era vice-presidente e devia assumir, mas um movimento militar se opôs, com o argumento de que, com ele, o comunismo chegaria ao Brasil, em meio ao auge dos movimentos sociais.

Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, liderou, um movimento pela legalidade a partir de uma cadeia de rádios com base em um estúdio montado nos porões do palácio do governo gaúcho. A campanha, que quase levou a um conflito armado, levou os militares a aceitarem a adoção de um sistema parlamentar de governo e a nomeação de um primeiro-ministro conservador.

As reformas sociais empreendidas por Goulart, entre elas a agrária e da propriedade urbana, as políticas para dar uma maior participação popular, a abolição por referendo popular do parlamentarismo, as nacionalizações e outras destinadas a reduzir as enormes brechas sociais, desembocaram em uma nova crise e o caos financeiro, que levaram ao golpe de Estado de 1964.

Goulart e Brizola foram ao exílio no Uruguai. Expulso daquele país, transfere-se para os Estados Unidos e, de lá, para Portugal. Em junho de 1979, promove o Encontro de Trabalhistas no Brasil e no Exílio, em Lisboa, com o objetivo de reorganizar o PTB no Brasil. É de lá que sai a Carta de Lisboa, embrião do PDT.

E ele regressou com a anistia de 1979. Mas o longo e calculado processo de transição à democracia, idealizado pelos militares, acabou dividindo as esquerdas, minando o socialismo e fazendo surgir alternativas como a proposta por Lula e seu Partido dos Trabalhadores, nascido na etapa final da ditadura ao calor dos sindicatos.

O máximo que conseguiu depois do exílio foi ganhar as eleições para governador do Rio de Janeiro em 1982, depois de uma áspera briga contra a fraude que os antigos partidários do regime militar tentaram forjar.

Candidatou-se à presidência em 1989 e 1994. E voltou a tentar chegar ao mais alto do poder em 1998, quando foi candidato a vice-presidente na fórmula liderada por Lula, que perdeu contra Fernando Henrique Cardoso. Depois, rompeu definitivamente com Lula.

Brizola quis recuperar sua popularidade política com uma candidatura à prefeitura de Rio de Janeiro em 2000. Dois anos mais tarde, quis ser senador e os votos também lhe foram negados. Nas vésperas de sua morte, ainda se encontrava com políticos cariocas para definir as articulações para as eleições municipais.

Há dois anos atrás, Leonel Brizola disse: "Deixem que pensem que sou um cachorro morto. Sou de uma geração que durará 110 anos. Nos últimos dez vou descansar, mas até os cem anos estarei aí, andando para a frente, feliz com a vida".

Redação Terra