Três agentes penitenciários que estavam no Complexo de Gericinó no momento da fuga de Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, vão fazer hoje o retrato falado dos dois criminosos que o resgataram de Bangu 8. O delegado da 34ª DP (Bangu) Gilberto Dias disse que os funcionários afirmaram, em depoimento, que são capazes de reconhecer os homens que se passaram por agentes do S Serviço de Operações Especiais (SOE) e disse que ainda é cedo para definir se pedirá a prisão preventiva dos servidores. "Eles disseram que têm condição de descrevê-los. Por enquanto, não falo em prisão, porque seria leviano da minha parte, mas nada está descartado", afirmou o delegado.
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Em depoimento, os agentes disseram que Batman permaneceu sem algemas durante todo o tempo que ficou fora da cela, mas que isso era um procedimento habitual. Também revelaram que o fugitivo já havia marcado com antecedência uma consulta médica para segunda-feira, dia 27.
"A médica que atenderia o preso informou que não iria trabalhar por causa do ponto facultativo. Os agentes do SOE, no entanto, não iriam mais fazer a escolta de Batman, mas essa informação não foi passada à unidade prisional. Mas, segundo os agentes, essa é uma prática comum. Eles não avisam às unidades quando o compromisso do preso é cancelado", disse Dias.
O delegado explicou ainda que, mesmo se o SOE fosse fazer o transporte de Batman, ele teria conseguido fugir: "geralmente esses agentes chegam à unidade por volta das 9h e os falsos agentes retiraram o preso da cadeia pouco depois das 7h".
Presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário, Francisco Rodrigues garante que os agentes não erraram. "Tecnicamente, a ação deles foi perfeita. Situações como essas ocorrem dezenas de vezes por dia. Toda vez que se transporta presos para hospitais ou para o Fórum, por exemplo, os agentes conferem a viatura e anotam o nome dos agentes e o número de matrícula num livro. É o único tipo de controle que existe. Se há falhas é no modo de operação do sistema", explicou.
O sindicalista acredita que a corrupção tenha ocorrido no vazamento de informações. "É preciso saber como esses falsos agentes conseguiram saber da consulta médica do Batman e como eles tinham acesso ao banco de dados da Seap, onde conseguiram nome e matrícula de agentes", comentou.
Rodrigues também criticou a exoneração do diretor de Bangu 8. "Isso foi uma grande irresponsabilidade, uma punição antecipada. É preciso apurar para depois punir", disse.
A soma de todos os erros
Entrada da unidade
Dois homens com uniformes semelhantes ao do SOE deram nomes e matrículas falsas de agentes. Não foi exigida identificação. O carro utilizado, um Palio branco clonado do diretor do Ary Franco, é de uso apenas administrativo e não pode servir no transporte de presos. O supostos agentes não apresentaram a pauta onde deveria constar os nomes dos outros presos que iriam ao hospital.
Consulta cancelada
Havia um ofício encaminhando o preso para exame oftalmológico, às 9h, no Hospital Central Fábio Soares Maciel. Como era feriado, o grupo especial de escolta confirmou que a consulta estaria cancelada porque o especialista não ficaria de plantão, mas não comunicaram a Bangu 8.
Horário
Em geral, 9h é o horário para transporte de presos até os hospitais penitenciários. Isso acontece para não prejudicar a troca das equipes, às 8h. Os supostos agentes chegaram ao complexo às 7h30 para levar Batmam ao hospital.
Bangu 8
Ao chegar na entrada de Bangu 8, um dos agentes desceu do carro e se identificou novamente. A matrícula falsa não foi checada mais uma vez. Ele apresentou um ofício com o agendamento de Batmam no médico, apesar de a consulta ter sido cancelada. A autorização foi dada por um enfermeiro da unidade, mas em todos os outros presídios só o diretor permite a saída do detento.
Câmeras
As câmeras do circuito interno de segurança de Bangu 8 estavam desligadas.
Guaritas
Em todos os presídios há uma guarita onde um PM fica de guarda. A de Bangu 8 fora desativada dois dias antes da fuga para reforma.
Cinturão
De Bangu 8 até a rua são 2,5 quilômetros que o Palio branco que transportava Batmam percorreu sem ser abordado. O presídio está dentro de um cinturão de segurança. Na saída do corredor deveria haver três aparelhos de raio-X e agentes. O único equipamento montado não está funcionando.
Confere
A falta de Batmam não foi percebida no confere dos presos à noite, antes das celas serem fechadas. O confere é uma medida de segurança que acontece todos os dias, à noite e de manhã.

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