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 Bangu 8: agentes farão retrato falado de criminosos
30 de outubro de 2008 04h31 atualizado às 04h52

Três agentes penitenciários que estavam no Complexo de Gericinó no momento da fuga de Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, vão fazer hoje o retrato falado dos dois criminosos que o resgataram de Bangu 8. O delegado da 34ª DP (Bangu) Gilberto Dias disse que os funcionários afirmaram, em depoimento, que são capazes de reconhecer os homens que se passaram por agentes do S Serviço de Operações Especiais (SOE) e disse que ainda é cedo para definir se pedirá a prisão preventiva dos servidores. "Eles disseram que têm condição de descrevê-los. Por enquanto, não falo em prisão, porque seria leviano da minha parte, mas nada está descartado", afirmou o delegado.

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Em depoimento, os agentes disseram que Batman permaneceu sem algemas durante todo o tempo que ficou fora da cela, mas que isso era um procedimento habitual. Também revelaram que o fugitivo já havia marcado com antecedência uma consulta médica para segunda-feira, dia 27.

"A médica que atenderia o preso informou que não iria trabalhar por causa do ponto facultativo. Os agentes do SOE, no entanto, não iriam mais fazer a escolta de Batman, mas essa informação não foi passada à unidade prisional. Mas, segundo os agentes, essa é uma prática comum. Eles não avisam às unidades quando o compromisso do preso é cancelado", disse Dias.

O delegado explicou ainda que, mesmo se o SOE fosse fazer o transporte de Batman, ele teria conseguido fugir: "geralmente esses agentes chegam à unidade por volta das 9h e os falsos agentes retiraram o preso da cadeia pouco depois das 7h".

Presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário, Francisco Rodrigues garante que os agentes não erraram. "Tecnicamente, a ação deles foi perfeita. Situações como essas ocorrem dezenas de vezes por dia. Toda vez que se transporta presos para hospitais ou para o Fórum, por exemplo, os agentes conferem a viatura e anotam o nome dos agentes e o número de matrícula num livro. É o único tipo de controle que existe. Se há falhas é no modo de operação do sistema", explicou.

O sindicalista acredita que a corrupção tenha ocorrido no vazamento de informações. "É preciso saber como esses falsos agentes conseguiram saber da consulta médica do Batman e como eles tinham acesso ao banco de dados da Seap, onde conseguiram nome e matrícula de agentes", comentou.

Rodrigues também criticou a exoneração do diretor de Bangu 8. "Isso foi uma grande irresponsabilidade, uma punição antecipada. É preciso apurar para depois punir", disse.

A soma de todos os erros
Entrada da unidade
Dois homens com uniformes semelhantes ao do SOE deram nomes e matrículas falsas de agentes. Não foi exigida identificação. O carro utilizado, um Palio branco clonado do diretor do Ary Franco, é de uso apenas administrativo e não pode servir no transporte de presos. O supostos agentes não apresentaram a pauta onde deveria constar os nomes dos outros presos que iriam ao hospital.

Consulta cancelada
Havia um ofício encaminhando o preso para exame oftalmológico, às 9h, no Hospital Central Fábio Soares Maciel. Como era feriado, o grupo especial de escolta confirmou que a consulta estaria cancelada porque o especialista não ficaria de plantão, mas não comunicaram a Bangu 8.

Horário
Em geral, 9h é o horário para transporte de presos até os hospitais penitenciários. Isso acontece para não prejudicar a troca das equipes, às 8h. Os supostos agentes chegaram ao complexo às 7h30 para levar Batmam ao hospital.

Bangu 8
Ao chegar na entrada de Bangu 8, um dos agentes desceu do carro e se identificou novamente. A matrícula falsa não foi checada mais uma vez. Ele apresentou um ofício com o agendamento de Batmam no médico, apesar de a consulta ter sido cancelada. A autorização foi dada por um enfermeiro da unidade, mas em todos os outros presídios só o diretor permite a saída do detento.

Câmeras
As câmeras do circuito interno de segurança de Bangu 8 estavam desligadas.

Guaritas
Em todos os presídios há uma guarita onde um PM fica de guarda. A de Bangu 8 fora desativada dois dias antes da fuga para reforma.

Cinturão
De Bangu 8 até a rua são 2,5 quilômetros que o Palio branco que transportava Batmam percorreu sem ser abordado. O presídio está dentro de um cinturão de segurança. Na saída do corredor deveria haver três aparelhos de raio-X e agentes. O único equipamento montado não está funcionando.

Confere
A falta de Batmam não foi percebida no confere dos presos à noite, antes das celas serem fechadas. O confere é uma medida de segurança que acontece todos os dias, à noite e de manhã.

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