Cerca de 30 mil passam por velório de Eloá

20 de outubro de 2008 • 22h30 • atualizado em 21 de outubro de 2008 às 15h17
A fila para entrar no velório de Eloá se estendia para fora do cemitério às 21h
A fila para entrar no velório de Eloá se estendia para fora do cemitério às 21h
20 de outubro de 2008
Marcelo Pereira/Terra

Taís Laporta
Direto De São Paulo

Brasil


A Guarda Civil de Santo André informou que, até a manhã desta terça-feira, cerca de 30 mil pessoas passaram pelo velório de Eloá Cristina Pimentel, 15 anos, morta depois de ser feita refém por mais de 100 horas. De acordo com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), 13 pessoas passaram mal durante a cerimônia e duas tiveram que ser removidas até às 21h30 de segunda-feira.

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Em média, 2,4 mil pessoas por hora passam pelo velório de Eloá. Milhares de curiosos fazem fila para ver o corpo da jovem. De acordo com o Samu, uma das pessoas que teve de ser removida do cemitério estava alcoolizada e a outra, grávida.

Camisetas
Valdir Roque de Oliveira, 21 anos, irmão de Yago, que chegou a ser mantido refém junto de Eloá, afirmou que ele e amigos da escola mandaram fazer camisetas com a foto da vítima. No verso da blusa, há um trecho da letra da música preferida dela: 1 minuto, do cantor D'Black. "A culpa não foi sua, os caminhos não são tão simples, mas vou seguir", diz a música.

Cerca de 500 camisetas foram distribuídas para familiares e amigos de Eloá.

Alice Muniz da Silva, 61 anos, avó de um dos amigos da jovem, estava indignada porque não conseguia ver o corpo de Eloá com o grande volume de pessoas no local. "É um abuso desse povo, a maior parte dos que estão aqui é de curiosos", afirmou Alice, que descreveu Eloá como uma menina simpática e muito alegre.

Seqüestro
Lindemberg Alves, 22 anos, invadiu o apartamento da família da ex-namorada Eloá Cristina Pimentel, 15 anos, na tarde de segunda-feira da semana passada. Armado com um revólver, o jovem fez reféns, além da ex-namorada, uma amiga dela, Nayara, 15 anos, e dois colegas de escola, que estavam no local para fazer um trabalho para a aula. A ação foi motivada pela recusa de Eloá em reatar o namoro.

O seqüestrador libertou os dois adolescentes no mesmo dia. Nayara foi libertada no dia seguinte, após passar 33 horas no apartamento. Já na quinta-feira, Nayara voltou ao cativeiro. Segundo a polícia, a jovem foi chamada para ajudar nas negociações e decidiu entrar no apartamento por conta própria.

A polícia invadiu o apartamento por volta das 18h10 de sexta-feira, depois de mais de 100 horas de cativeiro. Eloá foi baleada na virilha e na cabeça, e Nayara, na boca. Segundo a Polícia Militar, os tiros partiram da arma de Lindemberg. Na ação, o jovem foi detido e Eloá e Nayara levadas para o hospital.

Médicos anunciaram a morte cerebral de Eloá às 23h30 deste sábado. Os órgãos foram liberados para doação pela família. Nayara passa bem e deve receber alta nos próximos dias.

Lindemberg, que está preso no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros (CDP), na zona oeste de São Paulo, responderá por homicídio e dupla tentativa de homicídio, segundo a polícia.

Redação Terra
 
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