Médicos confirmam morte cerebral de Eloá

19 de outubro de 2008 • 01h02 • atualizado em 10 de novembro de 2008 às 10h46
Amigos lamentam anúncio da morte cerebral de Eloá em hospital de Santo André
Amigos lamentam anúncio da morte cerebral de Eloá em hospital de Santo André
18 de outubro de 2008
Hermano Freitas/Terra

Hermano Freitas
Direto de Santo André

São Paulo


O secretário de Saúde de Santo André, Homero Nepomuceno Duarte, confirmou na madrugada deste domingo a morte cerebral da jovem Eloá Pimentel, 15 anos, que foi baleada na cabeça e na virilha, depois de 101 horas de cárcere privado imposto pelo ex-namorado Lindenberg Alves, 22 anos. A morte cerebral foi declarada às 23h30 do sábado.

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"Todas as artérias cerebrais apresentaram colapso circulatório, o que corrobora o diagnóstico de morte cerebral", afirmou Nepomuceno, que aguarda a decisão da família para a doação de órgãos.

Caso a família não opte pela doação, Eloá permanecerá ligada aos aparelhos e tomando medicamentos. "Não existe eutanásia no Brasil. Ela ficará ligada aos aparelhos até que a resolução se dê de maneira natural. O processo natural pode levar semanas", disse o secretário.

"A família não tem permissão de desligar os parelhos. Somente se a família decidir pela doação de órgãos, eles serão retirados aqui mesmo (no Hospital Municipal de Santo André)", explicou.

Durante a tarde do sábado, Eloá já não tinha apresentado atividade cerebral no primeiro exame neurológico. No entanto, o protocolo médico exige uma segunda bateria de exames após intervalo de seis horas para confirmar a morte cerebral.

Um dos tiros atravessou o crânio e ficou alojado próximo da nuca de Eloá. Os médicos optaram em não retirar a bala porque os danos seriam maiores. Os pais e os dois irmãos ficaram ao lado da jovem na UTI na maior parte do tempo que ela passou no hospital.

Segundo a diretora geral do Centro Hospitalar de Santo André, Rosa Aguiar, a família acreditou até o último instante que ela poderia sair do coma. "Todo o tempo a família tinha fé", disse Rosa, que ressaltou o trabalho de apoio psicológico aos parentes realizado pelo hospital.

Enquanto era anunciada oficialmente a morte cerebral de Eloá, amigos da adolescente ajoelharam-se em frente ao hospital e começaram a rezar, recitando aos gritos passagens da Bíblia. Muitos choravam abraçados, lamentando a morte da jovem.

Seqüestro
Lindemberg Alves, 22 anos, invadiu o apartamento da família da ex-namorada Eloá, na tarde de segunda-feira. Ela estava acompanhada da amiga Nayara e de dois colegas de escola. Eles fariam um trabalho para aula quando todos foram rendidos.

Lindemberg libertou os dois adolescentes na segunda-feira e Nayara na terça-feira, após mantê-la no apartamento por 33 horas. O seqüestro foi motivado pela recusa de Eloá de reatar o namoro. Na quinta-feira, Nayara voltou ao apartamento onde estavam Lindemberg e Eloá.

Redação Terra
 
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