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Aposentada coleciona santinhos de mortos em MG

25 de outubro de 2008 19h38 atualizado às 20h11

Maria Aguimar Dias mostra com orgulho sua coleção de santinhos . Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

Maria Aguimar Dias mostra com orgulho sua coleção de santinhos
Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

Uma aposentada da cidade de Taiobeiras, a 704 km ao norte de Belo Horizonte (MG), tem um passatempo diferente. Maria Aguimar Dias, conhecida na região como "Creuza do Santinho", coleciona santinhos de pessoas que já morreram.

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Ela afirma que iniciou a coleção há 10 anos e possui mais de 200 panfletos com retratos dos mortos na cidade. "Eu recebi a primeira e coloquei dentro de uma pasta. A partir disso, comecei a ajuntar os santinhos", disse.

Segundo ela, o motivo principal do hobby é a saudade que tem de quem já se foi. "De vez em quando eu olho as fotos para matar as saudades," afirmou.

Dentre os santinhos preferidos está os de seus pais. Ela também guarda fotos de pessoas conhecidas em Taiobeiras, como comerciantes e políticos. Mas ela lembra que muitas pessoas que estão na sua coleção são desconhecidas. "Tem muita gente na pasta que eu nunca ouvi falar".

A colecionadora explicou que seu apelido se deve ao marido, o mecânico Gilson Santos, que é chamado de Santinho na cidade. O diminutivo se refere ao sobrenome Santos.

Somado ao fato dela ajuntar santinhos de falecidos, Maria Aguimar então passou a ser conhecida como a Creuza do Santinho. Entretanto, ela não quis dizer de forma alguma o porquê do apelido Creuza. Se limitou a dizer que é por causa de uma tia.

Famosa em Taiobeiras, a aposentada explicou que obtém os santinhos de diversas maneiras. "Geralmente eu consigo na missa de 7º dia. Quando eu não vou à missa eu peço alguém pra pegar ou a própria família me dá."

Creuza disse ainda que muitas pessoas acham a mania diferente, mas ela garante que este tipo de coleção em Taiobeiras não é uma unanimidade dela. "Há outras pessoas que colecionam santinhos aqui. É normal na cidade".

Santinho, o marido, se diverte com a coleção fúnebre. "Eu acho muito interessante e bem diferente. Depois que ela começou a colecionar santinhos, outras pessoas da cidade passaram a ajuntar. Virou uma mania," diz.

Especial para Terra