Chefe da Inteligência: Satiagraha constrangeu PF

15 de outubro de 2008 • 17h06 • atualizado às 17h44

Marina Mello
Direto de Brasília

Brasil


O diretor de Inteligência da Polícia Federal, Daniel Lorenz, declarou em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito das Escutas Telefônicas que a Operação Satiagraha, que foi comandada pelo delegado Protógenes Queiroz, descumpriu o que é previsto no manual de conduta em operações da PF causando o que ele chamou de "situação constrangedora".

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Segundo Lorenz, o manual estabelece que as operações sejam feitas sem vazamentos para a imprensa e sem expor a vida das pessoas que serão presas, o que não foi respeitado, na visão dele, pelo delegado Protógenes. "A Satiagraha fugiu muito da normalidade. (...) Por causa destes deslizes, nós ficamos expostos, nós não precisaríamos passar por isso se tudo tivesse sido feito de acordo com o nosso manual, é isso o que nos deixa irritados, isso o que causou essa situação constrangedora", disse.

Além dos excessos cometidos por Protógenes no dia em que a operação foi deflagrada, Daniel Lorenz também criticou a participação de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na Satiagraha. Segundo ele, não há justificativa para Protógenes ter buscado auxílio fora da PF porque a corporação permitiu que o delegado utilizasse grande volume de recursos técnicos e humanos.

"Fizemos um levantamento que apontou que a Satiagraha está hoje entre as três maiores operações em termos de recursos humanos e financeiros. (...) A Satiagraha, nos oito meses que ficou na diretoria de inteligência, ela teve todos os meios possíveis dentro do DPF. Eu poderia até entender (a presença de agentes da Abin) se ele (Protógenes) não tivesse tudo o que precisava, mas com o que foi dado a ele, ela está hoje entre as três maiores (operações) em termos de recursos", afirmou.

"Todos os argumentos que ele (Protógenes) usou para justificar um possível apoio da Abin não têm respaldo na realidade, não são sensatos nem equilibrados", afirmou. Lorenz também ressaltou que os profissionais colocados à disposição para participar da Operação Satiagraha são extremamente qualificados. "Foram os melhores profissionais que eu conheço", disse.

A Operação Satiagraha combateu o desvio de verbas públicas, da corrupção e da lavagem de dinheiro. A ação prendeu no dia 8 de julho o banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, além do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o investidor Naji Najas e outras 14 pessoas.

No dia 2 de outubro, durante uma homenagem da Associação Nacional da Força Expedicionária Brasileira de Recife a Protógenes, o delegado afirmou que o trabalho dele e dos que participaram da Satiagraha não foi compreendido por "aqueles que tinham o dever de preservá-los".

"Fomos sucumbidos pela vontade de fazer acontecer, pelas vaidades pessoais, emoções por parte de alguns, conflitos e escândalos fabricados em favor do crime dos criminosos, sobretudo, na prática, com a edição de atos insanos em desfavor da segurança jurídica e da sociedade", disse.

Redação Terra
 
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