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 PF: jornalista teria aceito propina de grupo de Valério
10 de outubro de 2008 23h25 atualizado em 11 de outubro de 2008 às 00h01

Para supostamente difamar os dois fiscais que autuaram a Cervejaria Petrópolis em R$ 100 milhões por sonegação fiscal, buscando invalidar o auto de infração por eles lavrado, o empresário Marcos Valério teria recorrido a duas estratégias: forçar a instauração de inquérito policial contra eles na Polícia Federal, em Santos, e publicar notícias contra os dois fiscais. Para isso, segundo os autos da Operação Avalanche, o empresário teria oferecido até R$ 10 mil a jornalistas e veículos de imprensa. Um dos profissionais que teria se beneficiado do esquema seria o colunista Cláudio Humberto.

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De acordo com os autos, o jornalista teria recebido o pagamento de R$ 10 mil para escrever uma nota contra os fiscais. Ele nega as acusações.

Segundo os autos, Marcos Valério e seu sócio Rogério Tolentino teriam ordenado todas essas medidas ao advogado mineiro Ildeu da Cunha Pereira, que teria o "apoio irrestrito e incondicional" da advogada Eloá Leonor da Cunha Velloso. Por sua vez, ela repassaria as informações para os policiais aposentados da Polícia Federal Paulo Endo e Daniel Ruiz Balde e para o delegado da Polícia Federal Silvio Oliveira Salazar.

As supostas falsas denúncias contra os fiscais Eduardo Fridman e Antonio Carlos de Moura tratariam sobre crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Também diriam que Fridman seria proprietário de uma empresa sediada na Argentina, que serviria para lavagem de dinheiro.

A nota foi publicada com destaque na coluna de Cláudio Humberto no dia 31 de julho deste ano, sob o título "PF investiga extorsão no governo Serra". Na nota, o colunista cita o nome dos dois fiscais e diz que eles estão sendo investigados pela PF, em Santos, por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e cobrança de propina, mediante extorsão.

"Em face da insistência de Ildeu e segundo ele próprio mencionou expressamente em diálogo monitorado, fato que depende de confirmação, a matéria foi publicada mediante o pagamento de R$ 10 mil, conforme consta do anexo deste relatório as publicações veiculadas na coluna e site do jornalista Cláudio Humberto", diz os autos.

Com a operação concluída e após consulta ao proprietário da Cervejaria Petrópolis, Marcos Valério e Rogério Tolentino teriam decidido como fariam o pagamento aos advogados e aos policiais pelo trabalho executado. No dia 13 de agosto, para supostamente receber o dinheiro e efetuar a divisão entre sua equipe, o advogado Ildeu Pereira teria viajado até Boituva (SP), sede da cervejaria. Sabendo desse pagamento, a Polícia Federal deflagrou uma operação na época e apreendeu R$ 1 milhão em espécie com o advogado, no momento em que ele embarcaria com destino a Itanhaém (SP) para supostamente efetuar o pagamento aos policiais.

Procurado pela reportagem, o colunista Cláudio Humberto se defendeu das acusações, afirmando estar "sendo vítima do mesmo processo que tentou atingir a jornalista da Folha (de S. Paulo) Andréa Michael", uma das pessoas investigadas durante a Operação Satiagraha. "Isso é uma tentativa de constranger jornalistas e veículos de imprensa independentes", afirmou ele.

Cláudio Humberto disse que publicou a notícia em sua coluna porque ela "era pública e oficial" e porque, de fato, existia um inquérito policial em andamento contra os dois fiscais. "Como eu iria saber a procedência desse inquérito?", questionou.

O jornalista também argumentou que "sua decisão foi técnica, profissional e isenta" e negou ter recebido qualquer valor para publicar a notícia. "Repudio essa mentira", disse ele, acrescentando que deve publicar uma nota sobre o caso em seu site.

Agência Brasil