Tarso: ação que prendeu Valério não tem vínculo político

10 de outubro de 2008 • 15h10 • atualizado às 17h32

Luiz de França
Direto de São Paulo

Brasil


O ministro da Justiça, Tarso Genro, negou que a Operação Avalanche, da Polícia Federal, tenha vínculos políticos ou partidários. A ação resultou na prisão do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.

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"Essa é uma operação normal de delitos que não têm qualquer vínculo de atividade partidária ou política. Trata-se de luta contra o crime, contra corrupção e casos que infernizam a vida do Estado brasileiro", disse o ministro da Justiça, que participa da comemoração dos 40 anos 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) realizado em Ibiúna, em 1968.

Marcos Valério foi preso nesta manhã na casa dele no bairro Castelo, região da Pampulha, em Belo Horizonte. Segundo a PF, na mansão foram apreendidos documentos e computadores. O material foi levado para a sede da PF em BH.

A operação
Segundo a Polícia Federal, no total, 30 mandados de busca e apreensão e foram cumpridos 17 mandados de prisão contra policiais federais, civis, despachantes, advogados e empresários, entre eles, Valério. Em Belo Horizonte, foram presas quatro pessoas. A PF também apreendeu cerca de R$ 700 mil, entre reais e moedas estrangeiras.

De acordo com a PF, o bando recebia informações privilegiadas sobre empresas com dívida na Receita Federal. Com base nesses dados, eles pediam dinheiro aos empresários em troca da promessa de resolver os problemas deles junto à Receita.

Valério, que ficou conhecido após ser apontado como operador do suposto esquema do mensalão, e os outros presos deverão ser transferidos para a Polícia Federal em São Paulo.

Evento da UNE
O evento em que Tarso esteve presente relembra a prisão de mais de 700 líderes estudantis em um congresso da UNE em um sítio de Ibiúna. Entre os detidos, estava o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, que também participou do evento de hoje.

"Esse evento traz boas recordações, saudades e tristeza pelos companheiros que morreram lutando, foram assassinados e torturados", disse José Dirceu. Para o ex-ministro, o encontro é o momento para recordar as lutas vivenciadas nas universidades, dando seqüência a uma "revolução cultural".

Tarso também relembrou a época do 30º Congresso da UNE. "Lembro como se fosse hoje do congresso de Ibiúna, porque eu ia (ao evento), mas fui preso antes em um congresso em Belo Horizonte e estava respondendo ao meu primeiro processo na Justiça Militar", recordou o ministro. "Era ingenuidade nossa organizar naquela época um congresso com centenas de pessoas em uma área como Ibiúna".

Redação Terra
 
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