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Polícia: jovem escolhia vítimas com vida desregrada em MS

10 de outubro de 2008 07h29 atualizado às 15h28

Entre o material encontrado está um papel, onde ao lado do nome de cada pessoa estão as palavras salva ou morta. Foto: Edemir Rodrigues/Divulgação

Entre o material encontrado está um papel, onde ao lado do nome de cada pessoa estão as palavras "salva" ou "morta"
Foto: Edemir Rodrigues/Divulgação

A Polícia Civil informou que o adolescente de 16 anos apreendido ontem em Rio Brilhante (MS) contou que escolhia as vítimas pela "vida desregrada" que levavam e, a partir daí, decidia se deviam morrer ou não. Ele é suspeito por matar três pessoas que foram deixadas com os braços e pernas imobilizados em forma de cruz no local do crime. Segundo a polícia, na abordagem antes do crime, era realizada uma espécie de entrevista, onde ele as classificava como "puras" ou "impuras".

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"O rapaz alegava que suas vítimas estavam no descaminho, confrontando as teorias de um suposto deus, na verdade satânico, que ele idolatrava. Matando essas pessoas, ele pensava estar fazendo um favor a elas", explicou a delegada Maria de Lourdes Souza Cano, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e ao Adolescente (Deaij).

Entre o material encontrado no quarto do adolescente está um papel, onde ao lado do nome de cada pessoa estão as palavras "salva" ou "morta", conforme o suposto julgamento realizado. Também foram encontradas revistas pornográficas, além de objetos das vítimas, como um celular, uma blusa e uma pulseira.

Nas paredes, havia diversos pôsteres e fotos de Francisco de Assis Pereira, conhecido como Maníaco do Parque, que estuprou, torturou e matou seis mulheres em São Paulo na década de 1990.

De acordo com a Polícia Civil, o objetivo do adolescente seria de que, começando aos 16 anos, conseguiria fazer mais vítimas do que Pereira, que começou aos 17. Para isso, ele teria determinado que a cada inverno deveria executar as pessoas que considerasse inadequadas às suas crenças.

Durante os crimes, o adolescente utilizaria luvas cirúrgicas para evitar a identificação pela polícia. Nas abordagens, seriam feitas perguntas referentes a preferências sexuais e relacionamentos anteriores.

O jovem também guardava os jornais com as notícias das mortes. "Ele confessou sentir-se importante, como se visse a própria imagem nos telejornais, e tinha um comportamento diferenciado, apesar de se relacionar bem com a família", afirmou a delegada.

Por ser menor de idade, ele foi encaminhado para uma Unidade Educacional de Internação (Unei), onde cumprirá pena sócio-educativa. A polícia descartou a possibilidade de co-autores no caso, mas ainda investiga a possibilidade de que ele tenha cometido outros crimes.

Mortes
A polícia informou que a primeira vítima, identificada como Catalino Cardena, 33 anos, foi encontrada em um terreno baldio no centro da cidade no dia 24 de julho. Cardena tinha uma perfuração no peito e estava com os braços abertos e os pés juntos. O corpo foi deixado no local sem a camisa e com a inscrição INRI no peito feita com uma faca.

Em 24 de agosto, o corpo de Letícia Neves Oliveira, 22 anos, foi encontrado sobre o túmulo do cemitério da cidade, na mesma posição. A jovem estava nua e possuía a tatuagem de uma cruz no peito. De acordo com a Polícia Civil, ela foi estrangulada.

Em setembro não houve crime, mas foi quando o adolescente teria abordado a única vítima que conseguiu sobreviver, que agora depõe no processo. Identificada apenas como Carla, ela foi classificada pelo jovem como "pura".

Na última terça-feira, a polícia encontrou o corpo de uma adolescente de 13 anos, que possivelmente também foi estrangulada, na mesma posição. Junto ao corpo, havia um bilhete com cruzes e letras soltas que, entre as possibilidades, podem formar a palavra "inferno".

Especial para Terra