O acidente com o Boeing da Gol, que matou 154 pessoas, completa dois anos hoje. Nesse período, as famílias das vítimas afirmam que foram poucos os resultados das investigações sobre o choque entre o vôo 1907, que ia de Manaus para Brasília, e o jato Legacy. Para eles, a Justiça tem agido com lentidão. Ontem uma missa realizada em Brasília em memória das vítimas reuniu cerca de 300 pessoas.
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A presidente da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo 1907, Angelita de Marchi, acusa órgãos do Poder Público - como o Cenipa - de agir com descaso não só em relação ao acidente, mas com todo o setor aéreo. "Na hora do calor (do momento) fala-se muito, promete-se muito, mas, efetivamente, pouco é feito. Ainda vemos muito descaso", disse.
Ela também criticou as autoridades do setor aéreo por não atenderem satisfatoriamente à associação. "Temos sempre que correr atrás delas e, muitas vezes, ficamos sabendo de algumas coisas pela mídia", afirmou.
Angelita criticou a demora do Cenipa em concluir o relatório que irá apontar as causas do acidente. O primeiro prazo para que o documento ficasse pronto era de dez meses. "Depois passou para um ano, depois para janeiro deste ano, abril e, por fim, julho, ocasião em que o Ministro da Defesa disse que o levantamento já estava pronto e que seria tornado público em 20 dias. Hoje, a informação que temos é que ainda está no exterior para análise, sem data para conclusão".
Há famílias que dizem não encontrar forças para pedir justiça. É o caso dos pais do bancário Marcelo Paixão Lopes, último passageiro a ter o corpo identificado. "No momento, queremos encerrar o que passou e caminhar só com a saudade. O importante era ele e meu filho não virá de volta", responde a mãe de Marcelo, Creuza Maria Paixão, ao ser questionada sobre o resultado das investigações nesses dois anos.
A opinião é compartilhada por José Lopes da Cruz, pai do bancário, que voltava de uma viagem a trabalho. "A falta dele nos contagiou tanto que nos espelhamos só nele, não temos revolta", disse. Emocionado, o casal lembrou a angústia e a expectativa prolongada de esperar a identificação de 153 corpos para só então cessar a procura pelo filho.
A Associação não sabe o número de famílias já indenizadas pela Gol, mas Angelita afirma que é uma minoria. "Cerca de 120 famílias entraram com ações nos Estados Unidos, mas depois que a Justiça norte-americana rejeitou os processos, devolvendo-os ao Brasil por entender que nosso País tem condições de dar prosseguimento à ação, esses parentes têm tentado um acordo justo com a Gol. Só uma minoria já chegou a um consenso".
Nas ações que moviam nos Estados Unidos, as famílias processavam a empresa ExcelAir, proprietária do jato Legacy, e a Honeywell, fabricante do transponder - equipamento eletrônico de comunicação que emite sinais capazes de identificar um avião e que, se estivesse funcionando, poderia ter impedido a colisão e os dois pilotos americanos.
No último dia 26, o Centro de Investigações de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou um boletim isentando radares e equipamentos de controle aéreo da responsabilidade pelo acidente. De acordo com a nota, não foi encontrada nenhuma indicação da influência da cobertura do radar no acidente, "por ineficiência ou deficiência de equipamentos de comunicação e vigilância no controle de tráfego aéreo".
Apesar da isenção da falha técnica dos radares, o documento não descarta a possibilidade de erro humano, tanto pela parte dos controladores do vôo como dos pilotos do jato Legacy.
Com informações da Agência Brasil
Redação Terra