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"Na hora do calor (do momento) fala-se muito, promete-se muito, mas, efetivamente, pouco é feito. Ainda vemos muito descaso", disse Angelita. Ela também criticou as autoridades do setor aéreo por não atenderem satisfatoriamente à associação. "Temos sempre que correr atrás delas e, muitas vezes, ficamos sabendo de algumas coisas pela mídia", afirmou.
Angelita criticou a demora do Cenipa em concluir o relatório que irá apontar as causas do acidente. O primeiro prazo para que o documento ficasse pronto era de dez meses. "Depois passou para um ano, depois para janeiro deste ano, abril e, por fim, julho, ocasião em que o Ministro da Defesa disse que o levantamento já estava pronto e que seria tornado público em 20 dias. Hoje, a informação que temos é que ainda está no exterior para análise, sem data para conclusão".
Para Angelita, o inquérito criminal que tramita no Tribunal Regional Federal (TRF) da Vara de Sinop (MT) "está andando devagar, mas pelo menos não está parado". Ela se refere à decisão do juiz Murilo Mendes que, em março deste ano, autorizou os pilotos do jato Legacy, que se chocou com o avião da Gol, Joseph Lepore e Jan Paladino a prestarem depoimentos nos Estados Unidos.
"Inicialmente, o juiz havia decidido julgar os pilotos norte-americanos à revelia, mas voltou atrás e permitiu que eles respondessem ao inquérito por carta rogatória. Eles responderam às questões e as suas respostas foram transcritas para o inglês e uma cópia enviada para os dois, nos Estados Unidos. Desde então, pelo que sabemos, não houve qualquer retorno dos advogados", disse.
A Associação não sabe o número de famílias já indenizadas pela Gol, mas Angelita afirma que é uma minoria. "Cerca de 120 famílias entraram com ações nos Estados Unidos, mas depois que a Justiça norte-americana rejeitou os processos, devolvendo-os ao Brasil por entender que nosso País tem condições de dar prosseguimento à ação, esses parentes têm tentado um acordo justo com a Gol. Só uma minoria já chegou a um consenso", falou.
Nas ações que moviam nos Estados Unidos, as famílias processavam a empresa ExcelAir, proprietária do jato Legacy, e a Honeywell, fabricante do transponder - equipamento eletrônico de comunicação que emite sinais capazes de identificar um avião e que, se estivesse funcionando, poderia ter impedido a colisão e os dois pilotos americanos.
"Hoje, nossa maior reivindicação é para que haja transparência e clareza em tudo que as autoridades estão fazendo. Que todas elas levem isso muito a sério pois a responsabilidade deles é mostrar aos brasileiros que existe Justiça nesse País, que podemos confiar em quem deve defender o povo. E, claro, que as autoridades trabalhem seriamente para que outros acidentes não aconteçam, o que, infelizmente voltou a ocorrer menos de um ano após a tragédia em que perdemos nossos parentes", disse Angelita, referindo-se ao acidente com o Airbus A320, da TAM, ocorrido no dia 17 de julho de 2007 e no qual morreram 199 pessoas.
Agência Brasil