Morre no Rio o jornalista e escritor Fausto Wolff

06 de setembro de 2008 • 00h10 • atualizado às 00h12

Morreu às 21h de ontem o jornalista e escritor Fausto Wolff, 68 anos, colunista diário do Caderno B do Jornal do Brasil. Ele fora internado na CTI do Hospital São Lucas, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, no último domingo, com hemorragia intestinal. Wolff entrou em coma com quadro de insuficiência respiratória. Ele deixa a mulher, a psicóloga Monica Tolipan, e duas filhas.

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"Houve época no Rio em que todos os homens queriam ser Fausto Wolff. Pela inteligência e pelas mulheres que ele conquistava", disse o escritor Ruy Castro, amigo de quatro décadas.

Nascido em 1940, em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, Faustin von Wolffenbüttel teve infância pobre. Começou a trabalhar aos 14 anos como repórter policial e contínuo do jornal Diário de Porto Alegre.

De família humilde, mudou-se para o Rio aos 18 anos. Tornou-se jornalista em 1954 e passou por momentos históricos ao fazer parte da turma que editou o primeiro O Pasquim, a partir de 1969.

Wolff também esteve por trás da volta do jornal O Pasquim 21, no começo da década. Além do jornal, também atuou como diretor de teatro e cinema e professor de literatura nas universidades de Copenhague e Nápoles.

Escreveu vários livros, entre romances, livros históricos e compilações de crônicas, entre eles Cem poemas de amor e Uma canção despreocupada, A imprensa livre de Fausto Wolff, O acrobata pede desculpas e A milésima segunda noite, lançado em 2005 pela editora Bertrand Brasil.

"Seus livros evocam uma certa fantasmagoria de ordem interna típica de Edgar Allan Poe: o horror que vem de dentro do ser, pasmo ante um mundo calcado em conceitos de realidade que não admite", declarou o escritor Fernando Toledo sobre sua obra.

Wolff se responsabilizou por traduções de livros, como Detonando a notícia: Como a mídia corrói a democracia americana, de James Fallows. Ele foi agraciado com o Prêmio Jabuti com o romance À mão esquerda. O jornalista também editou volumes das célebres Anedotas do Pasquim, lançadas pela editora do jornal, Codecri.

Ultimamente, mantinha o site O Lobo (http://www.olobo.net), com compilações de seus textos, e fazia uma coluna diária no Caderno B, para o qual veio trazido pelo chargista e escritor Ziraldo, a quem conheceu ainda na época do Pasquim. Lá, lançava mão de personagens como Natanael Jebão, que popularizou. Diariamente, criticava a mídia e novidades como o celular e o computador.

"Vai chegando a hora em que a turma vai indo embora", disse Ziraldo.

"Brigamos muito, nos amamos muito, vivemos muito juntos, muito separados. É como um irmão desgarrado que morre. Ao lado de Dalton Trevisan e Rubem Fonseca, Fausto era um dos melhores contistas do Brasil. Era também um excelente romancista. Era um gênio como autor de contos. Escreveu primorosamente como jornalista", afirmou Ziraldo.

Também atuou em áreas diversas áreas (escreveu textos para revistas como Status, nos anos 70, apresentando programas como Fantástico e Globo Repórter) e apresentou programas na TVE, atual Rede Brasil.

"Fausto era um homem rigoroso e muito abusado, abusava da saúde, bebia muito, ninfomaníaco", disse o amigo Chico Caruso.

"Tinha parado de beber há mais de um ano, estava tomando só guaraná. A gente é como lâmpada, um dia queima. Era muito bom escritor, as crônicas dele no Jornal do Brasil eram ótimas, inteligentes e atuais. Era da geração do Pasquim, de um Rio de Janeiro que passou por revoluções no jornalismo" disse Caruso.

O escritor Antonio Torres lamentou a morte do amigo. Ele exaltou como grande característica de Wolff o fato de sempre ter se colocado na contramão das tendências. "É a minha geração que está indo embora. É muito triste e preocupante", disse.

"Ele era um escritor muito combativo. Parecia um sujeito muito brigão, mas, na verdade, na relação pessoal, era afetuoso. Eu via o Fausto Wolff como um menino grande. Tinha muito afeto por ele, embora tivéssemos convivido muito pouco. Era uma relação respeitosa e afetuosa, porém distante. Eu o acompanhava muito, principalmente na última fase, no JB, quase que diariamente. Ele se colocava na contramão das tendências, das modas, de tudo. O que me parecia absolutamente necessário", afirmou.

O chargista Nani, que trabalhou na Bundas e no Pasquim 21, disse que Wolff era um dos últimos jornalistas a empunhar a bandeira de ser destemido do País. "Ele acreditava no jornalismo de opinião, de denúncia. Nunca se curvou aos poderosos, sem perder o humor. Estivemos juntos em veículos alternativos e no JB", afirmou.

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