Beltrame: milícia cobrava por entrega de cartas

05 de setembro de 2008 • 16h21 • atualizado às 18h59
Policiais apreenderam fichas de cadastro de moradores da favela Foto: Bruno Gonzalez/Futura Press
Policiais apreenderam fichas de cadastro de moradores da favela
05 de setembro de 2008
Foto: Bruno Gonzalez/Futura Press

Ernani Alves
Direto do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro


O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, afirmou que a milícia supostamente controlada pelo deputado estadual Jorge Babu (PT) ao lado do tenente-coronel da Polícia Militar Carlos Jorge Cunha exigia taxa dos moradores para que eles pudessem receber correspondência em casa. A cobrança era realizada através da associação de moradores da favela da Foice, no Jardim Guaratiba, na zona oeste, uma das três áreas controladas pela quadrilha.

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Várias cartas foram encontradas no centro comunitário da Foice. Policiais da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) também apreenderam fichas de moradores carimbadas com a palavra "pago". "Correspondência, quem não estivesse em dia com determinados pagamentos não podia receber. Nem receber remédios", destacou o secretário.

Beltrame disse ainda que Babu pode ser expulso do cargo de policial civil, do qual está licenciado. Ele lembrou que nos últimos 20 meses, 400 agentes envolvidos com crimes foram expulsos das polícias Civil e Militar. "As pessoas que agiram de maneira semelhante foram para a rua. Colocar as pessoas na rua não é problema para nós, desde que seja cumprido o rito obrigatório para fazer isso", enfatizou.

Cerca de 50 agentes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) foram mobilizados por volta das 5h para cumprir 10 mandados de prisão e 20 de busca e apreensão contra milicianos. Seis suspeitos foram detidos na operação até às 16h.

Os presos foram identificados como os policiais militares Davinilson Freitas dos Santos, Alfredo de Oliveira Cândido e Leonardo Morais de Andrade, o bombeiro Carlos José Dias e o funcionário de uma loja de eletrodomésticos, Roberto de Lima, além do tenente-coronel Carlos Jorge Cunha.

O deputado estadual Jorge Babu e os 10 suspeitos foram denunciados na semana passada pelo Ministério Público. A Justiça expediu mandados de prisão para o grupo, com exceção do parlamentar, pois ele tem foro privilegiado. A quadrilha foi investigada pela Corregedoria da Polícia Civil durante um ano e três meses.

Detetives descobriram que a milícia atuava desde 2005 na comunidade da Foice, no Jardim Guaratiba, assim como nos conjuntos habitacionais Cesarinho, em Paciência, e da rua Murilo Alvarenga, em Inhoaíba, na zona oeste. Os paramilitares cobravam taxa de segurança dos moradores e ofereciam serviços como TV a cabo pirata.

Os agentes estouraram hoje uma central de distribuição de sinal de televisão e um depósito clandestino de botijões de gás. Foram apreendidos pelo menos três computadores, um celular, quatro máquinas caça-níqueis, além de cerca de 20 placas e centenas de panfletos do candidato a vereador Elton Babu (PT), irmão do deputado Jorge Babu.

O material de campanha estava na associação da favela da Foice. No local, também foram encontradas fichas com cadastros de moradores, incluindo foto, nome completo, titulo e assinatura. De acordo com a polícia, há indícios de que o processo eleitoral vinha sofrendo interferência dos milicianos na região.

Redação Terra
 
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