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Lula defende o uso do fumo "em qualquer lugar"

04 de setembro de 2008 04h57 atualizado às 05h41

"Eu defendo, na verdade, o uso do fumo em qualquer lugar. Só fuma quem é viciado". Essa foi a resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ser indagado sobre sua opinião sobre o projeto federal que proíbe o fumo em lugares fechados, a exemplo do que foi proposto pelo governador José Serra (PSDB), na semana passada.

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Durante a pergunta que lhe foi formulada, Lula fumava uma cigarrilha. Ele concedia entrevista coletiva a jornalistas de oito jornais populares do País, no Palácio do Planalto, ontem pela manhã. Naquele momento, não havia repórteres-fotográficos na sala. O projeto do Ministério da Saúde está em tramitação na Casa Civil, desde fevereiro, e propõe a extinção de todos os fumódromos em recintos fechados, liberando o cigarro apenas em casa ou na rua.

Não vota
Lula não quis manifestar sua opinião sobre o mérito do projeto. ­"Eu não vou propor. A idéia do Ministério da Saúde é a proibição do fumo em todos os lugares fechados. Eu mando o projeto para o Congresso e não voto." Ao ser questionado sobre um decreto que proíbe o fumo no Planalto, o presidente respondeu: ­ "menos na minha sala. Eu, se for na sua sala, certamente não fumarei porque respeito o dono da sala. Mas, na minha, sou eu que mando."

A Casa Civil afirmou que o projeto federal está em análise, sem previsão de ser enviado ao Congresso. Informou ainda que o Palácio do Planalto observa a lei 9.294, de 15 de julho de 1996, e o decreto nº 2.018, de 1996. A lei proíbe o uso de cigarro ou qualquer outro produto do gênero em recinto coletivo, privado ou público, salvo em área destinada exclusivamente a esse fim, devidamente isolada ou com arejamento conveniente".

Na prática, não é cumprida no Planalto. A assessoria do ministro da Saude, José Gomes Temporão, informou que a pasta está priorizando seus esforços na aprovação da emenda 29, que destina mais recursos à saúde. Depois, a prioridade será a lei contra o tabagismo. Segundo a economista Márcia Pinto, o fumo traz prejuízo anual de R$ 338,6 milhões ao SUS, em internações e quimioterapia.

Futebol
Após dizer que respeita e considera Dunga um vencedor, Lula avalia que "Luxemburgo é o melhor técnico do Brasil na atualidade". O presidente é corintiano, e Luxemburgo é treinador do Palmeiras, maior rival do Corinthians. Lula também elogiou Felipão, ex-técnico da seleção e hoje no Chelsea.

Para o presidente, Dunga não é a causa do mau desempenho da seleção. ­ Estamos numa entressafra difícil de jogadores ­ disse. E classificou de preocupante o fato de jogadores estarem recebendo altas quantias precocemente. "Tem jogador ganhando muito dinheiro sem antes provar que é bom", argumentou. "Vejo titular da seleção brasileira que é segundo reserva em time da Inglaterra."

Se fosse técnico, Lula afirmou que tentaria montar uma seleção com jogadores que estão atuando somente no Brasil, como uma forma de barrar a idéia de que jogador, para ser convocado, precisa estar atuando no exterior. Para ele, também falta alma ao jogador brasileiro. ­"Quando vejo o Messi, na minha opinião o melhor jogador do mundo, perder uma bola, ele sai correndo até recuperar ou fazer falta. Os nossos perdem a bola e cruzam os braços", disse, referindo-se ao atacante argentino.

Lula defendeu que o Corinthians utilize o Estádio do Pacaembu em comodato (empréstimo sem custo), caso não consiga construir sua arena. Segundo ele, o governador Serra lhe teria dito que está disposto a oferecer o Pacaembu nessas condições. Só que o Pacaembu é administrado pela prefeitura, e não pelo Estado. O presidente disse considerar uma vergonha que clubes de massa como o Corinthians e o Flamengo não possuam casa própria. ­"É mais uma vergonha não fazerem um chamamento à torcida para contribuir e construir um estádio", criticou. Para ele, um estádio significa 30% a 40% do sucesso de um time.

Jornal do Brasil
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