Cacciola terá que prestar depoimento sobre comida

27 de agosto de 2008 • 03h53 • atualizado às 10h21

O ex-banqueiro Salvatore Cacciola, 64 anos - preso na Penitenciária Petrolino Werling de Oliveira (Bangu 8) -, terá que prestar depoimento na sindicância instaurada pela Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) para apurar denúncias de que teria saboreado lagosta e salmão encomendados em um restaurante da Barra da Tijuca. Segundo o secretário de Administração Penitenciária, coronel Cesar Rubens Monteiro de Carvalho, o objetivo da investigação é saber se agentes estão aceitando suborno para garantir regalias aos presos.

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"Se um preso tem poder aquisitivo e gosta de uma rabada e de um mocotó, vai comer rabada e mocotó, independente de ele ter poder aquisitivo ou não. O caso dele (Cacciola) nós entendemos que é pura ostentação, porque uma lagosta no presidio é algo que não combina muito", afirmou o secretário Cesar Rubens.

Depois de saber da investigação, o governador Sérgio Cabral disse que o caso será "apurado a fundo". "Vamos agir com dureza, até porque o que vale para Chico também vale para Francisco. E o governo não compactua com este tipo de coisa", declarou. Após reportagem publicada por O Dia, uma vistoria de agentes Seap no presídio achou uma quentinha com restos de refeições que teria sido encontrada na mesma cela em que está Cacciola.

Segundo o secretário, no dia da vistoria, foram recolhidos três celulares, um radiotransmissor, um aparelho de MP-3 e R$ 11.129. No entanto, o registro de ocorrência 08211, da 34ª DP (Bangu) consta apenas a apreensão de três celulares e um radiotransmissor.

A Seap informou que o dinheiro não foi enviado à delegacia - ao contrário do que o secretário havia declarado ontem -, mas ao setor de custódia do presídio, para que os parentes dos detentos pudessem retirar as quantias respectivas a cada preso. Cesar Rubens disse que os R$ 11.129 estavam em quatro celas. Com Cacciola, segundo ele, não foi encontrado valor acima do máximo permitido, R$ 100.

Com o deputado estadual Natalino Guimarães (sem partido), havia R$ 65 e com seu irmão, o vereador Jerônimo Guimarães (PMDB), o Jerominho, os agentes de segurança encontraram R$ 150 a mais do que o tolerável. Outro preso em Bangu 8, o inspetor de polícia Charles Jardine guardava R$ 1.262. A Seap não informou os nomes dos demais presos e valores apreendidos com cada um.

O advogado de Cacciola, Carlos Eli Eluf, negou ontem que a lagosta tenha sido encomendada por seu cliente. Ele alegou que o ex-banqueiro é alérgico a frutos do mar e que, portanto, não poderia ter comido a iguaria.

"Ele não vai comer lagosta ou salmão enquanto os outros 33 presos com quem divide a cela almoçam arroz com feijão, porque iria arrumar uma animosidade tão grande que até poderia ser morto. O fato de manter um cardápio refinado dentro da cela traria risco para a sua vida. Isso é impossível", afirmou Eluf, lembrando que Cacciola costuma receber alimentos da família em dias de visita, mas que nunca teria recebido salmão ou lagosta. Para o advogado, o pedido do prato requintado prejudicaria a imagem de seu cliente.

Recursos
O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) começou a analisar ontem o pedido da defesa de Cacciola para anular os três processos que o ex-banqueiro responde por crimes financeiros. A decisão só sairá após avaliação do ministro Paulo Gallotti, que pediu para estudar melhor os casos.

Hoje, o advogado de Cacciola em Mônaco, Frank Michel, vai denunciar o Brasil na Corte Européia alegando que o País teria descumprido acordo de extradição firmado com o Principado de Mônaco. Ele argumenta que seu cliente não poderia ter sido preso ou julgado por outro fato além do que motivou a extradição: o crime de gestão fraudulenta, que tramita na 6ª Vara Federal Criminal do Rio. O ex-banqueiro tem mais dois mandados de prisão que correm na 2ª e na 5ª Varas Federais Criminais.

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