Laryssa Borges
Direto de Brasília
Brasília
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"O Supremo está atento às diversas óticas, mas decidirá acima de tudo sob o ângulo constitucional, tornando prevalecente a Constituição Federal, que a todos, indistintamente, submete", disse o ministro. "Entre a ciência e a Igreja eu fico no meio termo, onde está a virtude", completou.
"Há previsão (de julgamento). Encerrada a audiência pública nós encaminharemos o processo para o procurador-geral da República e, de posse do parecer (do procurador-geral), confeccionaremos o relatório e o voto sobre a matéria e levaremos a plenário. Esperamos que até no máximo novembro estejamos julgando o caso", afirmou Marco Aurélio.
Segundo ele, a audiência pública de hoje mostrou o embate entre ciência e religião na defesa de aspectos da dignidade humana, mas não trouxe novidades na argumentação. "Claro que cada qual (cada ministro) decidirá segundo a ciência e a consciência possuídas. O que nós fizemos é ouvir a sociedade, os diversos segmentos da sociedade, e julgamos a partir de fatos. Não tivemos em si novidades. Tivemos aspectos, tivemos éticas diversificadas, e isso é bom para a reflexão", avaliou o magistrado.
"Tivemos dois enfoques, o enfoque religioso e o enfoque técnico-científico. Evidentemente precisamos considerar os dois enfoques, já que as leis são feitas para os homens, e não os homens para as leis. Prevalecerá, já que o Supremo é o guarda maior, a Constituição Federal. (O Brasil) É um Estado laico, mas precisamos perceber que vivemos em sociedade. Os anseios em si da sociedade não podemos simplesmente ser colocados em segundo plano. Eles são considerados. A visão do juiz é uma visão global, é a visão do conjunto".
Dos onze ministros do STF, apenas Marco Aurélio, relator do caso, esteve na audiência pública. O presidente da Corte, Gilmar Mendes, abriu as discussões, mas não ficou para ouvir os especialistas. Segundo Marco Aurélio, todos os integrantes do Supremo terão acesso a um DVD com os debates, além da documentação completa sobre a descriminalização do aborto de anencefálicos.
"Nós teríamos um DVD com todas as exposições, que será encaminhado para os demais integrantes. E temos também a documentação mediante autos apartados, um apenso, com as palestras e os memoriais reproduzidos. Nós não temos (todos os ministros) realmente espaço para assistir à audiência", disse.
Redação Terra