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Mãe de bebê anencéfalo: Deus me presenteou

26 de agosto de 2008 10h47 atualizado às 10h58

A mãe de Marcela de Jesus Galante Ferreira, bebê que viveu por 1 ano, 8 meses e 12 dias, ainda que diagnosticada como anencéfala, acompanha a audiência pública promovida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). "Foi uma verdadeira alegria. Deus me presenteou com uma criança mais que especial. Crianças como ela precisam de muito cuidado, muito amor e muito carinho", comentou Cacilda Galante Ferreira, que desde o quinto mês de gravidez, quando soube da má-formação cerebral da filha, decidiu não interromper a gestação.

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O STF discute a possibilidade de não serem punidos os médicos que fizerem abortos de fetos anencéfalos e de a gestante poder realizar o aborto sem a necessidade de apresentação prévia de autorização judicial ou de qualquer outra forma de permissão do Estado.

Segundo os médicos que acompanharam o caso da menina, no município de Patrocínio Paulista, na região de Ribeirão Preto (SP), Marcela morreu em decorrência de uma parada respiratória por uma pneumonia, e não diretamente por ser portadora de anencefalia. Ela teria aspirado o leite ingerido pela manhã, levando-o até o pulmão e provocando a pneumonia.

O caso de Marcela, emblemático para os setores que rejeitam a tese de se realizar aborto nos casos de anencéfalos, também foi lembrado pelo representante da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, Rodolfo Acatauassú Nunes.

Ele é professor adjunto do Departamento de Cirurgia Geral da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mestre e doutor em Medicina. De acordo com ele, os bebês anencéfalos têm "um certo grau de consciência primitiva", razão pela qual não poderiam ser diagnosticados de imediato como com morte cerebral.

"O caso de Marcela ultrapassou a literatura. A dúvida permanece (sobre o nível de consciência). Como poderia ser explicado o choro de Marcela pela falta de sua mãe e apenas pela falta dela? É preciso ainda explicar e estudar o real grau de consciência dessa pessoa. A anencefalia não equivale à morte anencéfala", disse.

"Faltam estudos com tecnologia de ponta, apropriada para poder discernir esse tão complexo ponto de consciência. É um assunto extremamente complexo por isso se faz o benefício da dúvida", concluiu o médico.

Por enquanto, se manifestaram na audiência pública representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Igreja Universal e do Movimento Pró-Vida e Pró-Família.

Redação Terra