Rio: homem teria sido morto após criticar milícias

24 de agosto de 2008 • 01h51 • atualizado às 01h51

Um assassinato semana passada no município de Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, deixou em alerta os membros da CPI das Milícias na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj). O presidente da Federação das Associações de Moradores da cidade, Jorge Martins, 55 anos, foi morto terça-feira, dia 19, após fazer críticas à ação de grupos paramilitares em reuniões do conselho de segurança local e em um jornal comunitário da região. Segundo amigos, Jorge tinha planejado levar denúncias ao deputado Marcelo Freixo, presidente da comissão.

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O homicídio ocorreu por volta das 19h, no bairro Amendoeira. Quatro homens encapuzados em um Corsa pararam em frente à casa de Jorge e dispararam oito tiros contra ele. O filho de Jorge, que estava conversando com o pai, conseguiu fugir do bando armado. Segundo testemunhas, que não anotaram a placa do veículo, o carro fugiu em direção à estrada Rio-Santos. "A principal linha de investigação é o envolvimento de milícias no crime, pelas denúncias que recebemos", afirmou o delegado da 50ª DP (Itaguaí), Nilton Gama.

Denúncia
A hipótese do envolvimento de paramilitares locais surgiu com a descoberta de fatos ocorridos com Jorge nos últimos dois meses. Durante oito anos, ele foi dono do jornal local Sem Mentira, que era distribuído mensalmente em Itaguaí. Normalmente dedicado a criticar a administração municipal, a edição do mês passado trouxe uma nota denunciando que a associação de moradores do bairro do Engenho passou a ficar sob o domínio de milicianos. No texto, Jorge afirmava que essa tomada de poder "foi um ato de covardia e desrespeito com as lideranças que lutam por melhorias".

O secretário-geral da Federação, Wilson Fernandes, conta que Jorge já tinha comentado que iria procurar integrantes da CPI das Milícias para relatar a ação de grupos paramilitares em Itaguaí. Um dos filhos da vítima, que preferiu não se identificar, contou que o pai tinha muitos inimigos por causa das denúncias que fazia. "Ele morreu com valentia. Sempre defendeu a população, corria atrás de melhorias para o povo", comentou o filho.

Ao tomar conhecimento do caso, o deputado Marcelo Freixo, presidente da CPI das Milícias, afirmou que a ação de paramilitares na cidade será investigada pela comissão. "Após a morte de Jorge, recebemos a denúncia de que ele queria nos dar informações sobre o município. É lamentável, é mais uma vida de alguém que tentava combater estes grupos. É o padrão da ação miliciana: a imposição do terror. O poder público tem que responder à altura", afirmou.

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