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O homicídio ocorreu por volta das 19h, no bairro Amendoeira. Quatro homens encapuzados em um Corsa pararam em frente à casa de Jorge e dispararam oito tiros contra ele. O filho de Jorge, que estava conversando com o pai, conseguiu fugir do bando armado. Segundo testemunhas, que não anotaram a placa do veículo, o carro fugiu em direção à estrada Rio-Santos. "A principal linha de investigação é o envolvimento de milícias no crime, pelas denúncias que recebemos", afirmou o delegado da 50ª DP (Itaguaí), Nilton Gama.
Denúncia
A hipótese do envolvimento de paramilitares locais surgiu com a descoberta de fatos ocorridos com Jorge nos últimos dois meses. Durante oito anos, ele foi dono do jornal local Sem Mentira, que era distribuído mensalmente em Itaguaí. Normalmente dedicado a criticar a administração municipal, a edição do mês passado trouxe uma nota denunciando que a associação de moradores do bairro do Engenho passou a ficar sob o domínio de milicianos. No texto, Jorge afirmava que essa tomada de poder "foi um ato de covardia e desrespeito com as lideranças que lutam por melhorias".
O secretário-geral da Federação, Wilson Fernandes, conta que Jorge já tinha comentado que iria procurar integrantes da CPI das Milícias para relatar a ação de grupos paramilitares em Itaguaí. Um dos filhos da vítima, que preferiu não se identificar, contou que o pai tinha muitos inimigos por causa das denúncias que fazia. "Ele morreu com valentia. Sempre defendeu a população, corria atrás de melhorias para o povo", comentou o filho.
Ao tomar conhecimento do caso, o deputado Marcelo Freixo, presidente da CPI das Milícias, afirmou que a ação de paramilitares na cidade será investigada pela comissão. "Após a morte de Jorge, recebemos a denúncia de que ele queria nos dar informações sobre o município. É lamentável, é mais uma vida de alguém que tentava combater estes grupos. É o padrão da ação miliciana: a imposição do terror. O poder público tem que responder à altura", afirmou.
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