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 UFMS: ordem judicial obriga desocupação da reitoria
23 de agosto de 2008 19h21 atualizado às 19h24

Após 17 dias de ocupação na reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, os acadêmicos foram obrigados a sair nesta tarde mediante mandado de reintegração de posse, expedido pelo juiz federal Odilon de Oliveira.

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O procurador geral da universidade, Valdemir Vicente da Silva, entrou com o pedido no final desta manhã, alegando que os acadêmicos estavam destruindo patrimônio público. "Há indícios de que quebraram, mas isso só a perícia da Polícia Federal (PF) que vai dizer", explicou.

Os estudantes receberam a intimação por volta das 15h e tiveram três horas para desocupar todo o espaço da reitoria, sob pena de multa de R$ 10 mil, caso extrapolassem esse tempo, e R$ 5 mil diários, caso continuassem no local ou voltem a ocupar.

Quatro viaturas da PF, com cerca de 10 agentes, foram até o local para garantir que a ordem judicial fosse cumprida. O acadêmico de Física Hiure Queiroz, do comitê de ocupação, disse que os próprios alunos requisitaram que agentes fizessem a perícia em todo o prédio. "Queremos mostrar que nada foi quebrado e que não mexemos em nenhum documento", afirmou.

Negociação
Na noite de ontem, a PF e a direção da UFMS tentaram um acordo para que os acadêmicos desocupassem o prédio. A condição imposta pelos alunos era o cancelamento das eleições marcadas para segunda-feira e que fosse convocada uma reunião extraordinária do Conselho Universitário (Coun).

O reitor Manoel Catarino Paes Peró não compareceu à ocupação. Quem intermediou a negociação foi o chefe de gabinete da reitoria, o professor Robert Souza. Até por volta das 23h houve tentativas de acordo entre as partes, mas nada foi resolvido e os acadêmicos decidiram continuar no prédio.

Do lado de fora, alguns pró-reitores argumentavam com a PF sobre a possibilidade de documentos importantes dentro da reitoria, como referentes ao processo eleitoral, serem destruídos ou alterados pelos ocupantes. Os acadêmicos garantiram que o acesso à área onde ficam as salas com os documentos foi bloqueado.

Ocupação
O protesto começou no dia 7, durante uma reunião do Coun. Na ocasião, foi decidida a manutenção da eleição proporcional, onde os votos de alunos e servidores representam 15% cada, enquanto os professores têm 70% de participação. Os alunos exigem o voto paritário, que garante igualdade no peso entre os três setores nas eleições para reitor.

Uma lista com três nomes deve ser enviada a Brasília até o dia 10 de setembro, para que um deles seja escolhido pelo presidente da República. O novo reitor não precisa necessariamente ter sido o mais votado.

Outro ponto de conflito é a data da eleição, marcada para o próximo dia 25, véspera do feriado de aniversário de Campo Grande. Os alunos temem que o comparecimento às urnas, que não é obrigatório, seja comprometido. "O processo eleitoral está mantido para segunda-feira", garantiu o procurador da universidade.

Após uma última assembléia no hall da reitoria, às 17h todos os ocupantes deixaram o prédio de mãos dadas.

Redação Terra