Após 17 dias de ocupação na reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, os acadêmicos foram obrigados a sair nesta tarde mediante mandado de reintegração de posse, expedido pelo juiz federal Odilon de Oliveira.
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O procurador geral da universidade, Valdemir Vicente da Silva, entrou com o pedido no final desta manhã, alegando que os acadêmicos estavam destruindo patrimônio público. "Há indícios de que quebraram, mas isso só a perícia da Polícia Federal (PF) que vai dizer", explicou.
Os estudantes receberam a intimação por volta das 15h e tiveram três horas para desocupar todo o espaço da reitoria, sob pena de multa de R$ 10 mil, caso extrapolassem esse tempo, e R$ 5 mil diários, caso continuassem no local ou voltem a ocupar.
Quatro viaturas da PF, com cerca de 10 agentes, foram até o local para garantir que a ordem judicial fosse cumprida. O acadêmico de Física Hiure Queiroz, do comitê de ocupação, disse que os próprios alunos requisitaram que agentes fizessem a perícia em todo o prédio. "Queremos mostrar que nada foi quebrado e que não mexemos em nenhum documento", afirmou.
Negociação
Na noite de ontem, a PF e a direção da UFMS tentaram um acordo para que os acadêmicos desocupassem o prédio. A condição imposta pelos alunos era o cancelamento das eleições marcadas para segunda-feira e que fosse convocada uma reunião extraordinária do Conselho Universitário (Coun).
O reitor Manoel Catarino Paes Peró não compareceu à ocupação. Quem intermediou a negociação foi o chefe de gabinete da reitoria, o professor Robert Souza. Até por volta das 23h houve tentativas de acordo entre as partes, mas nada foi resolvido e os acadêmicos decidiram continuar no prédio.
Do lado de fora, alguns pró-reitores argumentavam com a PF sobre a possibilidade de documentos importantes dentro da reitoria, como referentes ao processo eleitoral, serem destruídos ou alterados pelos ocupantes. Os acadêmicos garantiram que o acesso à área onde ficam as salas com os documentos foi bloqueado.
Ocupação
O protesto começou no dia 7, durante uma reunião do Coun. Na ocasião, foi decidida a manutenção da eleição proporcional, onde os votos de alunos e servidores representam 15% cada, enquanto os professores têm 70% de participação. Os alunos exigem o voto paritário, que garante igualdade no peso entre os três setores nas eleições para reitor.
Uma lista com três nomes deve ser enviada a Brasília até o dia 10 de setembro, para que um deles seja escolhido pelo presidente da República. O novo reitor não precisa necessariamente ter sido o mais votado.
Outro ponto de conflito é a data da eleição, marcada para o próximo dia 25, véspera do feriado de aniversário de Campo Grande. Os alunos temem que o comparecimento às urnas, que não é obrigatório, seja comprometido. "O processo eleitoral está mantido para segunda-feira", garantiu o procurador da universidade.
Após uma última assembléia no hall da reitoria, às 17h todos os ocupantes deixaram o prédio de mãos dadas.
- Redação Terra

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