Rubens Ricúpero criticou unilateralismo dos EUA |
A primeira mesa, "Ordem cosmopolita: uma construção interrompida?", concentrou-se principalmente nas discussões a respeito dos conflitos armados no Iraque e em Israel. O primeiro a falar, Rubens Ricúpero apontou, referindo-se aos Estados Unidos, que o temor principal hoje no campo político internacional é o unilateralismo da potência preponderante, não a inadequação da carta da ONU ou deficiências para lidar com novas ameaças. "Trata-se de um problema de poder e de interesses, não de idéias", afirma. O ex-ministro propôs o desmonte dos arsenais nucleares e combate à proliferação de armas e um esforço para diminuir as desigualdades sociais.
Lionel Jospin começou em tom de brincadeira pedindo desculpas por se dirigir em inglês a uma platéia latino-americana. E emendou, em francês: "decadência", provocando risadas. O moderador Antonio Guterres disse que a política internacional dos EUA mudaria com uma vitória democrata. Já Fernando Henrique Cardoso afirmou que o rumo dos conflitos no Iraque e Palestina vão influenciar as eleições presidenciais norte-americanas. "A reconstrução social vai depender do que ocorrer na Palestina e Iraque", completou.
A segunda mesa, "O papel da sociedade civil global", foi aberta pela ex-primeira-dama Ruth Cardoso, que saudou "o nascimento e a criação de um novo espaço público em vários níveis, um espaço que não tem limite, contornos, é dinâmico". Exemplificou com as mulheres no Irã que, mobilizadas, conseguiram eleger um aiatolá mais tolerante em relação às questões femininas. Rubens Ricúpero lembrou em um aparte da necessidade de uma reforma da democracia representativa e fechou o dia com uma piada relativa à urgência de mudanças sociais: "Muita gente não acredita em uma outra vida. Já eu acredito só na outra."
Redação Terra