Ao menos 30 deputados federais empregam parentes

22 de agosto de 2008 • 03h59 • atualizado às 04h03

Márcio Falcão
Karla Correia
Luciana Abade

Rio de Janeiro


O quadro de funcionários do Congresso sofreu as primeiras alterações depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu o nepotismo nos três poderes. No Senado, ao menos três senadores terão que demitir assessores. Segundo levantamento do Jornal do Brasil, na Câmara, pelo menos 30 deputados tinham, até ontem, familiares como seus funcionários ou trabalhando em gabinetes de colegas -­ em sua maioria do mesmo Estado ­ ocupando cargos de confiança.

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O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), não arriscou comentar a situação dos colegas que empregam a família, mas avisou que vai encomendar um levantamento sobre a contratação de parentes de parlamentares.

Os técnicos vão encontrar pelo menos mais dois casos: o do primeiro-secretário do Senado, Efraim Morais (DEM-PB), e o do senador Mão Santa (PMDB-PI). Morais tinha, até o início do mês, sete familiares em seus gabinetes, e seis parentes de seus aliados políticos. No dia 7, ele anunciou a demissão da filha Caroline Morais, estudante de jornalismo. Todos, segundo o primeiro-secretário, apesar da intimidade, com currículo para preencher a vaga.

O senador Mão Santa vai deixar de contar com os serviços da mulher, Adalgisa, personagem constante em seus divertidos discursos. Para o senador, a falta da esposa terá reflexo na produção de seus pronunciamentos. Em 2007, Mão Santa foi o parlamentar que mais falou na tribuna do Senado. "Desde o início da minha vida pública trabalhamos juntos", lamentou. "Ela sempre foi eficiente e esforçada no trabalho."

A deliberação do Supremo poderia ter sido tomada antes pela Câmara ou pelo Senado. Nas duas Casas legislativas, projetos nos mesmos moldes da súmula do STF aguardavam um acordo de líderes para serem analisados em plenário.

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), comemorou a decisão dos ministros e afirmou que tentou incluir projetos sobre o tema na pauta de votação, mas, a idéia foi descartada pelos líderes. ­"Algumas bancadas achavam que não dava para votar",­ justificou.

O JB encontrou, nos últimos Boletins Administrativos da Câmara, 30 casos de nepotismo e nepotismo cruzado. Contactados por telefone, assessores dos gabinetes confirmaram a contratação dos parentes, sendo a maioria lotada nos escritórios estaduais.

Alguns deputados informaram, por meio da assessoria, que vão acatar a resolução do STF. Ontem, o deputado Sandro Matos (PR-RJ) exonerou Gilvandro Matos Pereira, irmão e assessor parlamentar, e Luciene Real Muniz Matos Pereira, mulher e assessora parlamentar. ­"Acatarei todas as decisões do STF. Lamento que tenham feito mau uso das contratações de pessoas não qualificadas para cargos públicos, isso acaba prejudicando a quem realmente tem capacidade para exercer a função."

No Rio, além de Matos, o deputado Carlos Santana (PT-RJ) também tem parentes entre seus funcionários: contratou a cunhada Rosiane Alves. Como na Câmara, há dois anos, ficou proibido a efetivação de parentes nos cargos de natureza especial (CNEs), os parentes viraram secretários parlamentares. Os salários variam entre R$ 700 e R$ 8 mil.

O primeiro-secretário da Câmara, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), diz que a Casa vai se adequar às novas regras, mas ainda tem dúvidas de como será o sistema das demissões. O assunto deve ser discutido na próxima semana durante reunião da Mesa Diretora. "Ainda vamos nos reunir e refletir sobre a decisão do STF. Precisamos ainda verificar as interpretações da súmula para definirmos que medidas adotaremos."

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