Justiça quebra sigilo de igreja que atacou Luizianne

19 de agosto de 2008 • 17h12 • atualizado em 20 de agosto de 2008 às 16h10

A Justiça Eleitoral de Fortaleza determinou a quebra do sigilo bancário da Convenção de Ministros das Assembléias de Deus Unidas do Ceará (Comaduec) por confeccionar material publicitário contra a prefeita e candidata à reeleição Luizianne Lins (PT). Na semana passada, o juiz Emanuel Leite Albuquerque da 117ª zona eleitoral mandou retirar cartazes e outdoors com as mensagens 'Luizianne é contra a Bíblia e o povo de Deus. Diga não a Luizianne'.

» CE: juiz manda retirar cartazes contra Luizianne

Na decisão, o magistrado explica que o objetivo desse tipo de campanha é "macular a imagem da pessoa da senhora Luizianne Lins" tanto no âmbito administrativo como no político. Com a sentença, ele pretende descobrir quem patrocinou o material. A justiça identificou ainda que a quantidade de outdoors fixados pode caracterizar abuso de poder econômico. Na mesma liminar, Albuquerque também proíbe a divulgação, distribuição e afixação de propaganda negativa contra a candidata.

No dia 11 de agosto, a Comaduec, liderada pelo bispo Shelley Macedo, espalhou cerca de 100 outdoors e cartazes por Fortaleza. A entidade justificou a campanha argumentando veto da prefeita, em 2007, ao projeto que previa a oferta de exemplares da Bíblia em escolas públicas do município. Entretanto, diante do desgaste, a petista reconsiderou sua posição e aprovou a iniciativa.

Além dos outdoors, foram distribuídos panfletos com seis razões para não votar em Luizianne e com críticas sobre a distribuição nas escolas públicas de revistas que fazem apologia à prostituição e ao homossexualismo.

O bispo Shelley rebateu a afirmação de que a Justiça Eleitoral pode quebrar o sigilo da Igreja. Segundo ele, essa não é prerrogativa daquele poder. Shelley também informou que a equipe jurídica da Comaduec foi acionada e já está trabalhando para que a campanha anti-Luizianne continue.

O representante da Comaduec, José Menezes, confirmou que a campanha contra Luizianne Lins vai continuar. A advogada da coligação da candidata, Isabel Mota, considera a reação do evangélico "um absurdo e um desserviço à democracia".

"Tomamos todas as medidas possíveis e a Justiça tem sido dinâmica em suas decisões. Multas já foram arbitradas para o descumprimento da decisão, e se ele insistir só cabe a prisão desse cidadão por manifesto descumprimento e desrespeito à Justiça", defendeu a advogada da coligação da candidata, Isabel Mota.

A contra-ofensiva às ações da Comaduec também partiu de segmentos dos evangélicos. O candidato a prefeito de Fortaleza e pastor da Assembléia de Deus, Neto Nunes (PSC), disse não ter nada a ver com a campanha e que "esse rapaz (Shelley) não representa a Assembléia de Deus". O secretário-geral das Assembléias de Deus - Templo Central, Ismael Felix, também disse desconhecer a Comaduec. E Segundo o presidente da Ordem dos ministros do Estado do Ceará, pastor Francisco Paixão, da Assembléia de Deus, nenhuma das três convenções estaduais vinculadas à Convenção Geral das Assembléias de Deus do Brasil participa do movimento.

Com informações do correspondente do Terra Bruno de Castro

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