Milícia teria ocupado e vendido terrenos no Rio

17 de agosto de 2008 • 01h18 • atualizado às 01h18

Centenas de lotes de terras foram ocupados irregularmente e vendidos para moradores de Jacarepaguá. Com o esquema, dois suspeitos de integrar as milícias de Rio das Pedras e Gardênia Azul teriam faturado rapidamente milhões de reais nos últimos anos. Agora, são investigados pela polícia e poderão responder por parcelamento do solo urbano, estelionato e crime ambiental.

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Um caso emblemático é o do suplente de deputado federal pelo PSC, Marco Aurélio França Moreira, o Marcão. Investigações da 32ª DP (Taquara) apontam que o líder comunitário teria tomado um terreno de 30 mil metros quadrados em 2005 na comunidade chamada Novo Rio, em Gardênia Azul.

A intenção seria vender mil lotes, cada um por R$ 1,5 mil. Depois, os compradores teriam sido obrigados a construir suas casas por R$ 6 mil com cooperativa do centro social de Marcão.

Com isso, ele teria estimado faturar cerca de R$ 7,5 milhões - boa parte seria para financiar sua derrotada campanha para deputado federal pelo PSC, em 2006. Depois das eleições, Marcão não entregou nada do que teria sido prometido, revoltando moradores. Várias pessoas lesadas prestaram depoimento na 32ª DP denunciando a fraude.

Outra investigação em curso é a tomada de um terreno na Curva dos Pinheiros, em Jacarepaguá por Dalcemir Pereira Barbosa, investigado por integrar a milícia de Rio das Pedras.

Lote a R$ 100 mil
Segundo a polícia, Dalcemir teria vendido, no mínimo, dez lotes de terras, cada um por R$ 100 mil, que não pertenciam a ele. O dono do terreno foi à delegacia e prestou queixa. Dalcemir ainda responde por ação de usucapião na 4ª Vara Cível do Fórum de Jacarepaguá. A Secretaria estadual de Meio Ambiente ainda apura o desmatamento da área.

Dalcemir tem negócios variados em Rio das Pedras. Já foi dono de restaurante e atualmente é sócio de cooperativa de transporte alternativo na região.

Hostilidade com vítimas
Nos dois casos, há relatos de uso da violência por parte dos acusados de integrar grupos paramilitares. Um posseiro de terras em Jacarepaguá afirmou na delegacia que Dalcemir ordenou que o terreno ocupado fosse tomado e as árvores cortadas.

Segundo o depoimento, ele esteve no local "por duas vezes, para ver o andamento do serviço, portando uma arma de fogo na mão". Dalcemir - irmão do sargento PM Dalmir Pereira Barbosa, também investigado por integrar a milícia de Rio das Pedras - responde na Justiça por homicídio do chefe de gabinete da SMTU, Paulo Roberto da Costa Paiva, em 2003.

As supostas vítimas de Marcão alegam que eram hostilizadas ao reivindicar a devolução do dinheiro. Um homem conta que comprou o lote de terra, pagou várias prestações e parou quando notou que a cooperativa de Marcão não fazia obras: "Tentei reaver o que já tinha pago, mas ao chegar no centro social me senti intimidado por pessoas armada".

Outra semelhança entre os dois investigados está nas justificativas dadas para a polícia. Dalcemir contou que tinha uma procuração para vender os terrenos. Marcão explicou na 32ª DP que comprou parte do terreno de 30 mil metros quadrados por R$ 2 milhões. O restante, segundo o seu depoimento, foi "adquirido através de doações".

Em 2006, Marcão declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que não tinha bens, na mesma época em que teoricamente teria fechado a milionária compra da área.

Marcão contou outra história desmontada pela polícia: que era bacharel em Direito. A instituição indicada por ele, no entanto, enviou ofício à delegacia afirmando que Marcão nunca estudou lá.

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