Saúde: ministério dobrará pagamento para doações

16 de agosto de 2008 • 01h42 • atualizado às 02h20

O Ministério da Saúde vai dobrar o valor repassado em dinheiro aos hospitais para cada paciente com morte cerebral em que a doação for autorizada pela família. A expectativa é de baixar o número de 60 mil brasileiros que aguardam na fila por um transplante.

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"Quando o hospital tem um possível doador com morte encefálica e notifica à Central, o ministério repassa um valor por essa notificação. A partir de setembro, o ministério dobrará o valor quando a abordagem for positiva, ou seja, quando a família autorizar a doação", disse ontem o defensor público da União, André Ordacgy, que participou terça-feira de reunião com o diretor-geral do Departamento de Atenção Especializada do ministério, Alberto Beltrame.

Segundo o ministério, o valor repassado atualmente aos hospitais por cada notificação é de R$ 210. Ordacgy lembrou que o sistema de transplante precisa recuperar sua credibilidade, após a Operação Fura-Fila, da Polícia Federal, e a denúncia do Ministério Público Federal que apontou o médico Joaquim Ribeiro Filho, do hospital do Fundão, como líder de um grupo que burlava a fila de espera de fígados em troca de dinheiro.

"Vou recomendar que os gestores estaduais e federais façam uma campanha pela doação de órgãos. Além disso, que providenciem concurso público destinado à contratação de cirurgiões específicos de fígado. Caso esses pontos não sejam cumpridos até setembro, vou dar entrada com uma Ação Civil Pública", disse ontem Ordacgy.

O defensor lembrou que, segunda-feira, a Secretaria Estadual de Saúde divulgará a nova relação de pacientes que esperam por fígado. "A estimativa é que a lista, que tinha 1.077 inscritos, tenha, após o recadastramento, entre 700 e 800", disse, acrescentando que existiam pacientes mortos, com duplicidade de nomes e até transplantados.

Fundão
O hospital Clementino Fraga Filho (Fundão) está pronto para voltar a realizar transplantes, de acordo com a direção. Ontem, a unidade encaminhou à Secretaria Estadual de Saúde a relação nominal da nova equipe médica.

A volta dos transplantes foi possível porque o cirurgião Eduardo Fernandes, também alvo da Operação Fura-Fila, que havia sido suspenso pela Justiça de realizar qualquer atividade relacionada aos transplantes de fígado, foi inocentado da acusação de peculato no caso da cirurgia feita em Carlos Augusto de Alencar Arraes.

Além disso, durante audiência de quarta-feira - em que Eduardo abraçou chorando o médico Joaquim Ribeiro Filho, único que continua sendo processado -, ele aceitou a proposta de suspensão condicional do processo, no caso de um peculato tentado, em que o transplante não foi feito.

Assim como os médicos Giuliano Ancelmo Bento, João Ricardo Ribas e Samanta Teixeira Bastos, Eduardo pagará multa - que será destinada ao tratamento de crianças doentes - e não poderá se mudar ou se ausentar por mais de 60 dias sem comunicação e prévia autorização judicial. Cerca de 620 pacientes esperam por fígados no Fundão.

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